PF deflagra operação para rastrear financiamento de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina da Gama são alvos da ação, apurou a BBC News Brasil.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Julia Braun e Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres

  1. Mario Frias fala em 'cortina de fumaça' no período eleitoral

    Em vídeo postado em suas redes sociais na noite desta quinta-feira, Frias acusou a operação de ser uma "cortina de fumaça" em período eleitoral.

    De acordo com o deputado, a emenda parlamentar investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças. Ele disse ter documentos e notas para comprovar a licitude de sua ação.

    Frias afirmou também que sua defesa não consegue acesso ao inquérito que o atinge.

    "Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso. É claro, porque não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém", reclamou o parlamentar.

    Frias falando em pé perto de um gramado e de uma estrada

    Crédito, Reprodução

  2. Dino cita fuga de parlamentares investigados ao proibir Frias de deixar o país

    Mario Frias

    Crédito, Getty Images

    Em sua decisão, o ministro Flávio Dino determinou a aplicação de medidas cautelares contra Frias e os demais investigados no caso, proibindo-os de viajar para o exterior e de manter contato entre eles.

    O ministro também determinou o recolhimento dos passaportes.

    Ao justificar a medida, Dino disse que não se pode ignorar que "o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução penal".

    Embora não mencione nomes, a fala parece fazer referência a figuras ligadas ao bolsonarismo, entre elas o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, o ex-deputado Alexandre Ramagem e a ex-deputada Carla Zambelli, todos condenados criminalmente pelo STF.

    O magistrado afirmou ainda que Frias retardou a prestação de informações à investigação em outros momentos por estar em viagem internacional e, por isso, a medida seria necessária.

  3. Além de Frias e produtora do 'Dark Horse', quem mais é alvo da operação?

    Além de Mario Frias e Karina da Gama, são investigadas outras 27 pessoas.

    Também são alvo da operação o ex-chefe de gabinete do parlamentar, Raphael Augusto Azevedo, e os assessores André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso, que atualmente trabalham no gabinete parlamentar na Câmara dos Deputados.

    Todos os 29 alvos também foram atingidos pelas medidas cautelares determinadas pelo STF, entre elas a proibição de contato entre os investigados e a proibição de deixar o país.

  4. Acusações e riscos de ocultação de provas

    Na decisão que autorizou a operação desta quinta, o ministro do STF, Flávio Dino, sustenta que as apurações iniciais apontam possíveis crimes envolvendo o deputado federal Mario Frias e um suposto grupo criminoso do qual ele faria parte.

    De acordo com Dino, recursos públicos federais teriam sido destinados, por meio de termos de fomento financiados com emendas parlamentares, às organizações sociais Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Karina Ferreira da Gama, que teria ligações com o parlamentar.

    O documento destaca que auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram problemas desde a escolha do ICB para receber os recursos até a execução dos projetos financiados.

    A decisão menciona ainda transferências de recursos entre entidades e empresas ligadas ao grupo investigado, repasses sucessivos entre empresas e movimentações que, segundo a PF, poderiam indicar circulação e ocultação da origem do dinheiro.

    Segundo Dino, esses elementos sugerem possível retorno de recursos públicos para pessoas ligadas aos responsáveis pelas entidades.

    Flavio Dino

    Crédito, Sergio Lima / AFP via Getty Image

    Para justificar a busca e apreensão, o ministro afirma ainda que a apreensão de celulares, dispositivos cibernéticos, documentos e outros objetos relacionados aos fatos e crimes investigados eram necessários para continuar a investigação.

    Dino afirma ainda haver risco concreto de ocultação ou destruição de provas.

    "Assim, a nova atuação policial não se destina à mera repetição da diligência anterior, mas à coleta de provas referentes a fatos novos, contemporâneos e supervenientes, havendo fundado receio de que documentos digitais, mensagens, registros de edição, arquivos em nuvem e elementos contábeis relevantes possam ser ocultados, alterados ou destruídos caso a medida não seja prontamente executada", diz na decisão.

  5. Mario Frias tem sete armas apreendidas pela PF

    A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo durante a operação deflagrada nesta quinta, que apura suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e mira o deputado federal Mario Frias (PL-RJ).

    De acordo com o jornal O Globo, as armas estariam em nome de Mario Frias, mas foram apreendidas em endereço que não é do parlamentar.

    Um Porsche também foi apreendido.

  6. Mario Frias está proibido de deixar o país

    Mario Frias

    Crédito, Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Alvo da operação da Polícia Federal desta quinta-feira, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi proibido de deixar o país.

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a aplicação de medidas cautelares contra Frias, proibindo o parlamentar de viajar para o exterior e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito que apura desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

  7. Quem é a produtora de 'Dark Horse' alvo da operação da PF?

    Alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (10/09), a empresária Karina Ferreira da Gama é a dona da produtora Go Up, que produz o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Ela também é fundadora do Instituto Conhecer Brasil (ICB). A organização recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mario Frias (PL-SP).

    A sobreposição entre os negócios dos dois levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas possa ter sido usada para custear a produção do filme.

    A suspeita consta de uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

    A operação de hoje foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Ele é o responsável pelo processo a respeito dos suspostos desvios de emandas parlamentares.

    Karina Gama

    Crédito, Reprodução/Redes sociais

    Legenda da foto, O Instituto Conhecer Brasil (ICB) pertence a Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP, produtora do filme Dark Horse

    O ICB já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo em junho deste ano para apurar suspeitas de irregularidades em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

    O instituto foi contratado por R$ 108 milhões pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) de São Paulo para instalar e fazer a manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita via wi-fi em comunidades de São Paulo. Mas, segundo o inquérito policial paulista, apenas 3,2 mil pontos foram entregues.

    O delegado responsável pelo caso afirmou na época da operação que o instituto teria cobrado valores acima do mercado pela prestação do serviço e que a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB), desembolsou ao menos R$ 26 milhões por serviços não prestados no âmbito do contrato, que passou por ao menos três aditivos.

  8. Operação da PF investiga repasses de Mario Frias, não de Daniel Vorcaro; entenda

    A operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10/9), tenta rastrear o financiamento de Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não tem relação com os repasses de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme.

    A PF cumpre hoje mandados de busca ligados à suspeita de irregularidades no destino de emendas parlamentares e tem como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que teve seu celular apreendido, segundo a GloboNews. Frias é roteirista e produtor-executivo do filme.

    Outro alvo da PF hoje é a empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, que recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias e também é proprietária da GoUp Entertainment, produtora de Dark Horse.

    A sobreposição entre os negócios dos dois levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas possa ter sido usada para custear a produção do filme.

    A suspeita consta de uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

    A operação de hoje foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Ele é o responsável pelo processo a respeito dos suspostos desvios de emandas parlamentares.

    Já o processo que apura se houve irregularidade nos US$ 12,3 milhões repassados por Vorcaro para o filme a pedido do senador Flávio Bolsonaro acontece em paralelo e tem relatoria de outro ministro, André Mendonça. Ele é o responsável por todo o caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Um homem de expressão séria, o ator Jim Caviezel, aparece em primeiro plano usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela, interpretando Jair Bolsonaro, diante de um céu carregado de nuvens escuras.

    Crédito, Divulgação

    Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel
  9. Quem é Mario Frias, ator de 'Malhação' que foi secretário de Bolsonaro

    Frias é roteirista e produtor-executivo do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Frias, que começou sua carreira como ator, na extinta novela juvenil Malhação, é deputado federal por São Paulo.

    Ele se elegeu em 2022. Mas sua entrada na vida política se deu em 2020, quando foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Secretaria Especial de Cultura. Frias sucedeu a também atriz Regina Duarte.

    Antes de assumir o cargo, ele havia se aproximado do núcleo bolsonarista ao defender a passagem de Duarte por Brasília. Ele, inclusive, esteve na posse da atriz, sucedendo-a cerca de três meses depois.

    Mario Frias, de terno azul, óculos e gravata, fala ao microfone, gesticulando com o dedo indicador levantado, em uma cerimônia com a bandeira do Brasil ao fundo.

    Crédito, Andressa Anholete/Getty Images

    Legenda da foto, Mario Frias em registro de 2021, quando era secretário de cultura de Jair Bolsonaro
  10. Celular de Mario Frias foi apreendido pela PF

    Segundo informações da GloboNews, o celular do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi apreendido pela Polícia Federal.

  11. 'Dark Horse' foi usado por Andrei Rodrigues como argumento para pedir a Dino retorno à chefia da PF

    Andrei Rodrigues

    Crédito, Anadolu via Getty Images

    O filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também apareceu nas recentes discussões sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo.

    Em sua decisão, Dino levou em conta um pedido protocolado pelo próprio Rodrigues em que o diretor da PF afirmou que as determinações de Mendonça poderiam "interferir" nas investigações sobre o filme Dark Horse.

    "O seu afastamento do cargo de diretor-geral interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição", escreveu Dino em sua decisão.

  12. O outro inquérito sobre 'Dark Horse'

    Flávio Bolsonaro

    Crédito, Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images

    Há duas investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o filme Dark Horse.

    Uma delas, que está sob supervisão do ministro Flávio Dino, é o que se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme. É nesse contexto que a operação da PF desta quinta foi autorizada.

    Há, no entanto, um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para financiar a obra sobre seu pai.

    Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. O banqueiro, que está preso desde novembro de 2025, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro.

    Flávio negou qualquer irregularidade e disse ao Jornal Nacional que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

    Mas o caso voltou à tona após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, ter fechado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado por Mendonça.

    Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

    Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ele afirmou em sua delação ter feito, a pedido de Vorcaro, sete pagamentos para o fundo Havengate, que tem sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.

    Os últimos repasses, contrariando o que Flávio havia dito à GloboNews, teriam ocorrido em setembro e outubro, segundo apurou a revista Piauí. Isto é, às vésperas da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

    Leia mais na reportagem completa da BBC News Brasil:

  13. Quais são as suspeitas em relação a Mario Frias e à produtora do filme?

    O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é um dos alvos da operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (10/9) para investigar suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

    A medida foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino no âmbito da investigação que apura o desvio de recursos para o filme.

    Esse inquérito apura suspeitas de que R$ 2 milhões destinados por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina Ferreira da Gama, possam ter sido usados, entre outras finalidades, para financiar a produção do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A suspeita decorre da sobreposição entre os negócios dos dois. Frias é roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, enquanto Ferreira da Gama é dona da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa.

  14. Operação Make Up apura suposto desvio de recursos públicos em emendas parlamentares

    Há duas investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o filme Dark Horse.

    Uma delas, que está sob supervisão do ministro Flávio Dino, se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme. A operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10/9) pela Polícia Federal, está neste âmbito.

    Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação tem como alvo o deputado estadual Mario Frias, que teria repassado R$ 2 milhões à empresária Karina Ferreira da Gama, que é dona de um instituto à frente de projetos sociais e, ao mesmo tempo, da produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse.

    As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados, segundo a PF. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano.

    Levantamentos financeiros identificaram, ainda de acordo com a polícia, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado.

    Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel

    Crédito, Divulgação

    Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel

    Um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e o percurso desse dinheiro. A operação desta quinta não tem relação com essa investigação.

  15. PF deflagra operação sobre financiamento do filme 'Dark Horse'; Mario Frias e produtora são alvo

    Mario Frias, de terno azul, segura um microfone e fala diante do público, com uma das mãos próxima ao rosto, em um palco com iluminação escura ao fundo.

    Crédito, Getty Images

    A Polícia Federal cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10/9) em operação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme, são alvos da ação, apurou a BBC News Brasil.