Ciclone-bomba: entenda o fenômeno que deve provocar ventos de até 100 km/h no Sul e em São Paulo

Crédito, Anselmo Cunha/AFP via Getty Images
- Author, BBC News Brasil em Londres
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou, nesta sexta-feira (7/8), alertas para as condições climáticas no Sul e no Sudeste do Brasil.
O aviso de maior gravidade é válido da meia-noite até as 23h59 e prevê ventos entre 60 km/h e 100 km/h, com "risco de queda de árvores, destelhamento de casas e danos generalizados em edificações e plantações".
O alerta abrange uma faixa que vai da fronteira com o Uruguai, no extremo sul do Rio Grande do Sul, até o Estado de São Paulo, alcançando 482 cidades, incluindo as capitais Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.

Crédito, Inmet/Reprodução
Na quinta-feira (6/8), o alerta era mais grave do que o emitido para esta sexta (7/8) e abrangia todo o território do Rio Grande do Sul, até as fronteiras com Argentina e Paraguai.
Nesta sexta-feira, essas áreas, assim como o oeste de Santa Catarina e do Paraná, continuaram sob alerta — mas não mais para vendaval, e sim para queda de temperatura, com previsão de mínimas de até 3°C.
O que é um ciclone-bomba
A instabilidade é provocada por um sistema de baixa pressão que favorece "a ocorrência de um processo chamado ciclogênese explosiva, também conhecido como bombogênese ou, popularmente, ciclone-bomba", de acordo com o instituto.
Um sistema de baixa pressão funciona como um "motor" para o mau tempo: o ar quente e úmido sobe, favorecendo a formação de nuvens carregadas e aumentando a ocorrência de chuva intensa, rajadas de vento e tempestades.
Quando essa área de baixa pressão se aprofunda de forma muito rápida — com uma queda acentuada da pressão atmosférica em menos de 24 horas — ocorre o ciclone-bomba, que intensifica os ventos e aumenta o potencial para chuva forte e mar agitado.
Embora o alerta expire na sexta-feira, o ciclone pode continuar influenciando as condições do tempo ao longo de todo o fim de semana.
Os meteorologistas do Inmet vão manter o monitoramento, e a previsão é de que o órgão publique novas atualizações ao longo do dia.
O que esperar do El Niño em agosto
O El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial, deve continuar influenciando o clima brasileiro ao longo de agosto e ajudar a moldar um cenário de eventos extremos pelo país, segundo meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A expectativa é de temperaturas acima da média em praticamente todo o país, mas com efeitos diferentes de uma região para outra.
No Sul, o fenômeno aumenta a probabilidade de chuvas intensas e temporais, com risco de ventos fortes, granizo e alagamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de calor acima do normal e baixa umidade do ar. Já Norte e no Nordeste a tendência é de menos chuva, favorecendo o avanço das queimadas.

























