Trump diz que Brasil é 'politicamente perigoso' e que 'querem prender Bolsonaro Jr.'

Crédito, Yoan Valat/ EPA/Shutterstock
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (17/6) que a situação do Brasil está "um pouco difícil" e que o país está "perigoso politicamente".
Em uma entrevista coletiva durante a cúpula do G7 em Evian, na França, Trump foi perguntado se conversou com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a questão das novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, ou sobre a classificação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Trump respondeu dizendo que passou "bastante tempo" com o presidente brasileiro, mas não falou sobre as questões levantadas.
O presidente americano preferiu mencionar os Bolsonaro, mas acabou confundindo os filhos do ex-presidente.
"Ouvi dizer que prenderam alguém que estava concorrendo a um cargo hoje", afirmou.
"Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo", disse Trump.
O senador e pré-candidato à presidência Flavio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal rival de Lula neste momento, segundo as pesquisas eleitorais.
"Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Olha, nossas eleições são totalmente fraudadas. Temos eleições manipuladas."
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Na terça-feira (16), a Primeira Truma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo, um crime que ocorre quando alguém tenta intimidar, pressionar ou interferir em investigações ou ações judiciais.
A acusação é de que Eduardo articulou nos Estados Unidos retaliações do governo Trump contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar impedir o julgamento do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP), por tentativa de golpe de Estado — ele acabou condenado em setembro e, no momento, cumpre pena em prisão domiciliar humanitária.
A presença de Lula e Trump no mesmo local ampliou as expectativas para possíveis interações no G7, em um momento de novo tensionamento da relação diante da possibilidade da aplicação de uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.
As supostas práticas brasileiras condenadas pelo governo americano para justificar as novas tarifas são relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas. No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública.
Além disso, a Casa Branca oficializou, no dia 5 de junho, a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
A designação de CV e PCC como entidades terroristas internacionais pelo Departamento de Estado norte-americano marcou a maior derrota do governo Lula na sua relação com o governo do presidente Trump desde a imposição do tarifaço, em 2025.
Foi uma batalha que demorou mais de um ano, com idas e vindas de lado a lado e que, neste momento, parece ter sido vencida pelo grupo político agora liderado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

























