O que se sabe sobre o caso suspeito de Ebola investigado em São Paulo

Crédito, Getty Images
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo investiga um caso suspeito de Ebola reportado neste sábado (30/5).
O paciente, um homem de 37 anos de procedência da República Democrática do Congo — país com áreas de transmissão da doença pelo vírus Ebola, e viagem recente ao território — apresentou sintomas como febre, preenchendo a definição de caso suspeito.
Ele está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade estadual de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados, seguindo os protocolos de biossegurança previstos.
Na noite deste sábado, um exame apontou positivo para a bactéria causadora da meningite. Isso não descarta a suspeita de Ebola, cuja investigação segue em andamento.
Em paralelo, a Prefeitura do Rio de Janeiro também investiga um caso suspeito. Trata-se de um homem belga vindo de Uganda que teve resultado positivo para malária em exame realizado no Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz. Pessoas que tiveram contato com ele também estão sendo monitoradas.
Se confirmados, serão os primeiros casos de Ebola fora da África desde o início do mais recente surto e o primeiro registrado no Brasil, que, segundo o Ministério da Saúde, nunca teve um caso confirmado.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 27 de maio foram notificados na República Democrática do Congo um total de 906 casos suspeitos e 223 mortes entre os casos suspeitos. São 134 casos confirmados — incluindo nove em Uganda —, com 18 mortes entre os casos confirmados.
Risco de transmissão é baixo, dizem autoridades
Segundo a Secretaria de Saúde, o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul "permanece muito baixo".
Entre os fatores considerados estão a ausência histórica de transmissão autóctone (quando uma doença é contraída e transmitida dentro da mesma localidade onde o indivíduo reside, sem que ele tenha viajado recentemente para áreas endêmicas) no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul e a forma de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas sintomáticas infectadas..
Mesmo diante do baixo risco, a orientação da Secretaria é para que os serviços de saúde mantenham atenção a pessoas com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus. Também devem ser avaliados casos de contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas.
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Nesta semana, o Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais na tentativa de manter a crise do Ebola afastada do Brasil.
O plano prevê a intensificação da vigilância sobre pessoas que viajaram a países como a República Democrática do Congo, com o objetivo de identificar casos suspeitos, isolar pacientes e monitorar suas redes de contato. Para casos suspeitos, mesmo mediante um teste negativo, uma segunda coleta de amostra de sangue deve ser realizada 48 horas após a primeira, para nova análise.
O documento, cuja última edição data de 2024, não prevê o fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou ao comércio. O Brasil não tem voos diretos à região afetada pelo surto, o que tende a reduzir a circulação de pessoas infectadas e a possibilidade de contágio.
O vírus que causa o Ebola tem se disseminado muito rapidamente pela República Democrática do Congo, o que criou uma situação "profundamente alarmante", segundo um alerta da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um surto de Ebola no país há duas semanas. Este surto é particularmente desafiador porque envolve uma espécie rara de Ebola — conhecida como Bundibugyopara — para a qual não existe vacina e mata cerca de um terço dos infectados.
As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para a variante relacionada ao surto atual.
Além disso, o epicentro está localizado em uma área afetada por conflitos.
Os vírus Ebola normalmente infectam animais, tipicamente morcegos frugívoros, mas surtos em humanos podem começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.
O Ebola se espalha por contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, incluindo sangue, vômito, diarreia, saliva, urina, sêmen e suor. Também pode ser transmitido pelo contato com objetos contaminados, como agulhas, roupas de cama ou vestuário.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar "profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia".

Crédito, Getty Images
O que é o Ebola e quais os sintomas?
O Ebola é uma doença rara, mas mortal, causada por um vírus.
Os vírus do Ebola normalmente infectam animais, tipicamente morcegos, mas surtos em humanos podem, por vezes, começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.
A doença pelo vírus Ebola pode começar de forma súbita, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros graves, pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias.
Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, a transmissão do Ebola não ocorre antes do início dos sintomas. O maior risco está associado ao contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, especialmente nas fases mais avançadas da doença. Pessoas assintomáticas com exposição considerada de risco devem ser monitoradas diariamente por 21 dias.
Como começou o atual surto de Ebola?
O primeiro caso conhecido foi o de uma enfermeira que desenvolveu sintomas em 24 de abril, o que significa que o vírus já se espalhava sem ser detectado há semanas.
A enfermeira morreu em Bunia, capital da província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, segundo o Ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba.
Kamba afirmou que um dos motivos para a rápida disseminação do vírus foi o número de pessoas expostas ao corpo durante o funeral.
A agência de saúde pública da África, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), informou ao Serviço Mundial da BBC que os funerais eram uma preocupação particular, pois também contribuíram para a disseminação da doença em surtos anteriores.
A diretora do Africa CDC, Dra. Jean Kaseya, disse que campanhas de informação em saúde pública estavam "fornecendo informações sobre como lidar com funerais" e a importância da higiene e do saneamento básicos, além de medidas de proteção para os profissionais de saúde.
Kamba afirmou que houve atrasos na notificação de casos de Ebola porque as comunidades infectadas acreditavam que a doença era "bruxaria" ou uma "doença mística", o que levou as pessoas a procurarem tratamento em centros de oração e com curandeiros em vez de hospitais.

























