'Uma parte considerável das mulheres que sofre violência está nas igrejas', diz deputado Otoni de Paula

'Uma parte considerável das mulheres que sofre violência está nas igrejas', diz deputado Otoni de Paula

Declaradamente de direita e bolsonarista arrependido, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) tem chamado atenção por críticas abertas a seu campo político.

Em entrevista à BBC News Brasil no mês passado, o parlamentar, que é evangélico, defendeu o papel dos pastores no combate ao machismo e à cultura do estupro, e disse que "a igreja peca quando não debate esse assunto".

"Há comprovações de que uma parte considerável das mulheres violentadas está em nossas igrejas. E, quem as violentou, uma parte são aqueles que se dizem de Deus, que defendem a família, que são cristãos", afirma o deputado.

"O papel desse pastor é fundamental, de discutir isso na casa do Senhor, porque esta não é uma pauta de direita, não é uma pauta de esquerda, é uma pauta humanitária, de vida", acrescentou.

Otoni é contra ao projeto de lei que criminaliza misoginia, aprovado pelo Senado e que será votado pela Câmara dos Deputados.

O parlamentar acredita que a aprovação da proposta poderia "criminalizar pregações" devido à má interpretação de alguns textos bíblicos que contribuem para "algum nível de violência contra a mulher" dentro das igrejas.

"Principalmente quando se faz uma abordagem hierárquica da relação homem e mulher", destaca, ressaltando que, de acordo com a Bíblia, a mulher não está acima ou abaixo do homem, mas ao lado.

"Quando o primeiro homem [Adão] olha para a mulher, Eva, ele fica deslumbrado e diz: 'Essa agora é osso dos meus ossos e carne da minha carne'. Ali, não há nenhum princípio hierárquico, 'essa agora será minha empregada, essa agora será minha faxineira, essa agora será a mãe dos meus filhos'. Não, essa agora será osso dos meus ossos e carne da minha carne. Ninguém maltrata seu próprio osso, sua própria carne", afirma.

"Então, os pastores precisam usar a Bíblia como ferramenta de combate à violência contra a mulher, porque esta é a proposta bíblica. O que passa disso é má interpretação da Bíblia Sagrada."

Confira um trecho da entrevista de Otoni no vídeo.