AO VIVO , Eleições de meio de mandato nos EUA: o que está em jogo para o governo de Donald Trump

Midterms, como são chamadas, ocorrem nesta terça-feira e vão definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Votação poderá ter grande impacto no restante do mandato do republicano.

Pontos-chave

  • Milhões de americanos vão às urnas hoje para decidir quem controlará o Congresso nos dois últimos anos da Presidência de Donald Trump;
  • O que está em disputa nas midterms de 2026? Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes; 35 das 100 vagas do Senado; além de alguns cargos estaduais, incluindo os de governador;
  • O Partido Republicano, de Trump, controla as duas Casas do Congresso. Os democratas esperam conquistar cadeiras suficientes para obter a maioria em ambas;
  • Caso vençam, poderão barrar planos e abrir investigações sobre o presidente e sua equipe. Isso poderia incluir até uma tentativa de impeachment;
  • Resultados começam a ser divulgados à noite;
  • Pesquisas indicam vantagem dos democratas, mas estão corretas?;
  • Entenda como a eleição de meio de mandato deve definir futuro da relação dos EUA com o Brasil;
  • Por que os EUA têm muitos políticos idosos e poucos jovens na disputa.
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  • Flavio Bolsonaro

Cobertura ao Vivo

Por Pedro Martins e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres

  1. Quais Estados definirão o Senado?

    Atualmente, os republicanos controlam tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado.

    Pesquisas sugerem que os democratas podem conquistar a maioria das cadeiras na Câmara. Mas a disputa pela maioria no Senado é muito menos definida.

    Estes são os Estados-chave que determinarão qual partido estará no comando do Senado pelos próximos dois anos:

    • Alasca: a tentativa de reeleição do republicano Dan Sullivan enfrenta a concorrência da democrata Mary Peltola e do candidato independente Daniel J. Sullivan;
    • Maine: Susan Collins concorre a um sexto mandato contra o democrata Troy Jackson;
    • Texas: não há um titular buscando a reeleição nesta disputa, o que resulta em um confronto muito aguardado entre o democrata James Talarico e o republicano Ken Paxton;
    • Kansas: o pastor Adam Hamilton é o desafiante democrata ao atual senador republicano Roger Marshall, em uma disputa inesperadamente acirrada para representar um Estado que, por décadas, votou consistentemente nos republicanos;
    • Michigan: sem um titular na disputa, a eleição em Michigan é uma das que mais atraem atenção. O democrata Abdul El-Sayed pode se tornar o primeiro senador muçulmano dos EUA, mas enfrenta um desafio considerável por parte do republicano Mike Rogers.
  2. Baixa aprovação de Trump preocupa os republicanos

    Uma das razões pelas quais os democratas da oposição têm chance de recuperar o controle do Congresso é a baixa taxa de aprovação do presidente.

    Donald Trump começou seu segundo mandato com uma taxa de aprovação pouco acima de 50%, segundo o site de pesquisas Silver Bulletin, mas o índice caiu rapidamente para a faixa dos 40%.

    Gráfico mostra taxas de aprovação e desaprovação do presidente Donald Trump

    No fim de fevereiro deste ano, quando Trump decidiu lançar ataques aéreos contra o Irã, em conjunto com Israel, a aprovação estava em torno de 42%. Pouco depois, caiu para menos de 40%. Atualmente, está em cerca de 38%.

    Há oito anos, neste mesmo momento de seu primeiro mandato, a taxa de aprovação de Trump era de 43%. A de Joe Biden, no mesmo ponto de seu mandato, era de 40%. Nos dois casos, o presidente em exercício perdeu o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato, mas manteve o Senado.

  3. Quase 60 milhões de votos antecipados já foram registrados

    Até as 23h30 no horário do Leste dos EUA (1h30 no horário de Brasília) de segunda-feira, 58.677.062 votos já haviam sido registrados.

    Nos EUA, é possível antecipar votos presencialmente ou pelo correio.

    Segundo dados divulgados pelo Election Lab da Universidade da Flórida, 31.897.521 votos foram dados antecipadamente de forma presencial, e 26.779.541 foram enviados por correio.

    Nos últimos anos, mais Estados americanos passaram a oferecer a possibilidade de votação antecipada. O Center for Election Innovation & Research informa que 97% dos eleitores aptos nos EUA vivem em áreas onde essa opção está disponível.

    Estação de votação
  4. Análise: Eleições de meio de mandato podem definir o capítulo final de Trump

      • Author, Sarah Smith
      • Role, Editora da BBC para América do Norte, em Washington

    Com dois anos restantes de seu mandato, Donald Trump — que dominou a política americana na última década e a transformou de maneiras notáveis ​​— enfrenta eleições que podem ser decisivas.

    A maioria dos eleitores afirma que sua maior preocupação é o custo de vida. Os preços dos alimentos e dos combustíveis dispararam, em parte devido às tarifas agressivas impostas pelo presidente e à impopular guerra contra o Irã; por isso, essa questão estará no centro das atenções de muitos eleitores ao comparecerem às urnas.

    O presidente americano Donald Trump
    Legenda da foto, Trump em campanha em Salina, cidade no Kansas, no último domingo (1º/11)

    Trump, que nos últimos meses registrou índices de aprovação historicamente baixos, intensificou sua campanha, participando de dezenas de comícios por todo o país.

    No entanto, a alta dos preços preocupa eleitores de todas as vertentes — o que ajuda a explicar por que ele fez campanha em redutos tradicionalmente republicanos, como Iowa e Kansas, durante uma ofensiva final no último fim de semana.

    Seu partido também investiu centenas de milhões de dólares em publicidade eleitoral nessas disputas, que antes eram consideradas seguras para os republicanos, a exemplo da eleição para o Senado no Kansas.

  5. EUA lançam ataque contra ilha no Irã na véspera das eleições

    A guerra dos Estados Unidos com o Irã — profundamente impopular entre muitos eleitores — paira sobre as eleições de meio de mandato.

    No desdobramento mais recente, os EUA realizaram ataques, na segunda-feira (2/11), contra a ilha iraniana de Queixome, no Estreito de Ormuz. A agência de notícias estatal iraniana Irna relatou várias explosões na ilha.

    Autoridades americanas descreveram os ataques como limitados e afirmaram que foram uma resposta ao disparo que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (conhecida pela sigla IRGC) teria feito contra uma aeronave americana.

    Arte mostra as ilhas do Estreito de Ormuz sob disputa.
  6. O que está em jogo para o Brasil?

    O presidente americano, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva

    Caso os democratas retomem maioria na Câmara dos Representantes e ou no Senado, haveria uma mudança no cenário político dos Estados Unidos.

    Hoje, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, controla as duas Casas do Legislativo, o que permitiu que ele avançasse com sua agenda sem grande resistência.

    Essa agenda inclui desde tarifas a produtos importados de diversos países, entre eles o Brasil, até a guerra no Irã e ações militares na América Latina.

    Segundo a Constituição americana, o Legislativo tem prerrogativa de regular o comércio exterior e aplicar tarifas. Se os democratas retomarem a maioria, devem se debruçar sobre as sobretaxas impostas ao Brasil, por exemplo.

    Um Congresso de democratas também poderia examinar com maior rigor a maneira como Trump tem abordado sua política para a América Latina sob a ótica da segurança.

    Desde o ano passado, os EUA designaram mais de 20 cartéis e grupos criminosos da América Latina como Organizações Terroristas Estrangeiras, entre eles as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

    A Constituição garante ao Congresso a prerrogativa de declarar guerra. Portanto, com a maioria, os democratas ganhariam ainda o comando de comitês poderosos, como o de Serviços Armados, responsável pela supervisão das Forças Armadas.

  7. Obama diz que americanos estão cansados e querem mudança

    O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, em campanha nas eleições de meio de mandato

    Após semanas de campanha em estados decisivos para os democratas, o ex-presidente Barack Obama afirmou que as pessoas estão fartas da vida sob o comando dos republicanos de Donald Trump e prontas para algo diferente.

    "Por todo o país, tenho ouvido pessoas que estão cansadas do que veem por parte dos políticos atualmente. Neste dia de eleição, temos o poder de votar em candidatos que trarão a mudança de que precisamos", escreveu na rede social X, nesta segunda-feira (2/10), destacando as disputas para o Senado em estados-chave como Geórgia, Ohio e Michigan.

  8. Trump diz que candidatos democratas são 'extremistas e perigosos'

    O presidente americano Donald Trump

    O presidente Donald Trump encerrou sua campanha para as eleições de meio de mandato com um discurso no espelho de água do memorial ao ex-presidente Abraham Lincoln, em Washington.

    Ele exibiu cartazes com imagens da restauração conduzida no local, acompanhadas pelo slogan: "De volta, e mais bonito do que nunca!"

    A editora da BBC para a América do Norte, Sarah Smith, presente no discurso, descreveu o início do discurso como "absolutamente bizarro".

    Após 25 minutos, Trump passou a falar sobre as eleições, classificando os candidatos do Partido Democrata como "o grupo de candidatos mais extremista e perigoso da história americana".

    O presidente afirmou que a renda pessoal nos EUA está no "nível mais alto da história" e abordou temas como imigração e a guerra com o Irã.

  9. Veja a composição atual do Senado

    Arte mostra a composição atual do Senado dos Estados Unidos.
  10. Veja a composição atual da Câmara dos Representantes

    Art mostra a composição partidária atual da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
  11. Qual é o poder de quem for eleito hoje?

    Todos os 435 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, serão eleitos. Eles cumprem mandatos fixos de dois anos.

    A Câmara é geralmente o local onde as propostas de lei são apresentadas e debatidas.

    Enquanto isso, 35 das 100 cadeiras do Senado, a câmara alta, também estarão em disputa. Os senadores têm mandatos de seis anos.

    Entre outras funções, eles aprovam ou vetam projetos de lei que vieram da Câmara dos Deputados.

    Ilustração do Capitólio dos EUA com listras vermelhas e azuis no estilo de campanha eleitoral e estrelas representando os dois principais partidos políticos.

    No mesmo dia, eleitores em grande parte dos EUA também escolherão políticos em nível estadual. As eleições para governador na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan estão entre as que despertam mais atenção.

    Michigan é, inclusive, uma das poucas disputas decisivas que, em última análise, determinarão o controle do Senado.

    A cadeira hoje é ocupada por um democrata que está se aposentando; a última vez que um republicano foi eleito para esta vaga no Senado foi em 1994. Contudo, em eleições presidenciais, o estado é um dos principais campos de batalha — Michigan votou em Joe Biden em 2020, mas em Donald Trump em 2024, por exemplo.

  12. O que são as midterms?

    Os americanos escolhem nesta terça-feira (3/11) os membros do Congresso, composto por duas casas: a Câmara dos Representantes e o Senado.

    As eleições são realizadas a cada dois anos e, quando ocorrem no meio do mandato de quatro anos do presidente, são chamadas de eleições de meio de mandato.

    Uma das principais tarefas do Congresso é criar e aprovar leis federais, que são aplicadas em todo o país.

    O resultado, portanto, decidirá qual partido político — os republicanos da sigla de Trump ou os democratas, da oposição — controlará o Congresso e quão fácil será para o presidente executar seus planos.

    Os resultados também são vistos como uma métrica da satisfação da população americana com o desempenho do presidente até o momento.

  13. Bem-vindo!

    Seja bem-vindo à cobertura da BBC News Brasil das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.

    Acompanhe, ao longo do dia, textos, vídeos e gráficos sobre o pleito, que deve definir o rumo dos dois últimos anos do governo de Donald Trump, inclusive sua relação com o Brasil.