Transporte na eleição 2026: O que se sabe sobre as denúncias sobre falta de ônibus pelo Brasil?

Crédito, Paulo Pinto/Agência Brasil
Relatos de falta de ônibus neste domingo (25/10) de 2º turno das eleições presidenciais foram registrados em diversas cidades do país, especialmente na Bahia e em São Paulo.
Por isso, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação das eleições no Brasil inteiro até as 19h (horário de Brasília).
A medida foi tomada após ação apresentada pela campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou insuficiência de transporte público nos municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.
Zanin afirmou que os fatos chegaram ao conhecimento do STF às 16h32 deste domingo e que, diante da gravidade das alegações e da urgência da situação, determinou que o encerramento da votação fosse adiado em todas as seções eleitorais do país.
O ministro também determinou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotasse as providências necessárias para cumprir a ordem.
Mais cedo, às 13h, a campanha de Lula já havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação nas cidades que registraram irregularidades.
"Isso é um pedido ao ministro Kassio e o André Mendonça [presidente e vice-presidente do TSE]: eles têm, se for verdade, que prorrogar esse horário eleitoral para não permitir que as pessoas que foram prejudicadas de manhã pelo banditismo de alguns empresários ou de alguns prefeitos sejam prejudicados", disse Lula em declaração em São Paulo durante a tarde.
"Nós não vamos aceitar banditismo, mau-caratismo nem de prefeito, nem de governador e nem de empresário. Essas pessoas precisam aprender a respeitar a democracia neste país", afirmou o presidente.
Há também relatos nas redes sociais de reclamações em relação ao transporte público em cidades de Alagoas e Sergipe e em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Belém também registrou problemas com
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Na capital baiana, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador, segundo informações publicadas por Globo, UOL e CNN Brasil.
A BBC News Brasil pediu esclarecimentos ao TRE-BA e aguarda resposta.
A decisão foi tomada após representação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que denunciou uma redução superior a 50% na frota de ônibus em relação aos dias úteis.
O tribunal determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. A ordem prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para a prefeitura e para cada empresa responsável pelo transporte. Também determinou que a Polícia Civil fiscalize o cumprimento da decisão, inclusive com uso de drones.
A Prefeitura de Salvador informou que a circulação foi interrompida temporariamente em algumas garagens por causa de ônibus que receberam adesivos de candidatos, o que, segundo a gestão, configuraria propaganda eleitoral irregular.
A BBC News Brasil também cobrou esclarecimentos da prefeitura de Salvador. A Secretaria Municipal de Mobilidade afirmou que a operação já havia sido normalizada.

Crédito, Divulgação
Também foram registrados relatos de problemas em Feira de Santana e Lauro de Freitas.
A campanha do presidente Lula pediu ao TSE a prorrogação da votação nos três municípios da Bahia diante da falta de transporte para os eleitores.
E em São Paulo?
Em São Paulo, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa a candidatura de Lula, acionou a Justiça Eleitoral com a denúncia de que empresas de transporte da capital estariam operando com apenas 60% da frota na capital paulista neste domingo de 2º turno.
A cidade teve cerca de um terço menos ônibus nas linhas no fim da manhã e início da tarde deste domingo (25), de segundo turno, do que nos mesmos horários de dois dias úteis daquela semana.
Levantamento de Igor Novaes Lins, pesquisador de pós-doutorado no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), identificou uma média de 6.924 ônibus, contra 10.099 na quarta e na sexta-feira — redução de 31,4%, ou aproximadamente 3,2 mil veículos.
Lins registrou, minuto a minuto, as posições dos ônibus divulgadas pelo Olho Vivo, sistema de monitoramento por GPS da SPTrans.
A BBC News Brasil refez a comparação das médias horárias a partir da tabela fornecida pelo pesquisador e confirmou o percentual.
A quantidade de ônibus ficou praticamente no mesmo patamar do sábado.
A Prefeitura havia anunciado uma operação equivalente à desse dia da semana, mas a Justiça Eleitoral determinou que disponibilizasse toda a frota praticada em dias úteis e mantivesse os ônibus passando com frequência semelhante à de segunda a sexta-feira.
Segundo o relatório de Lins, mesmo com um total de veículos semelhante ao do sábado, a presença de ônibus nas proximidades dos bairros diminuiu em 87 dos 96 distritos da capital.
A redução foi de pelo menos 20% em 27 distritos. Na Vila Curuçá, chegou a 35,7%; em São Miguel, a 33,8%; e no Jardim Ângela, a 30,8%.
A queda também foi desigual entre as faixas de renda. Nas áreas que reúnem o quinto mais pobre da população, a presença de ônibus caiu 18,1% em relação ao sábado. No quinto mais rico, a redução foi de 10,6%.
O pesquisador cruzou os registros de transporte com os resultados do primeiro turno.
Entre os eleitores cadastrados em locais onde Lula alcançou pelo menos 60% da soma dos votos dele e de Flávio Bolsonaro, 42,8% estavam em endereços cujo entorno perdeu ao menos 20% da presença de ônibus. Nos locais em que Flávio superou Lula, a proporção foi de 29,7%.
A Prefeitura negou redução da oferta e afirmou que havia mais ônibus do que a demanda. A SPTrans alegou dificuldades para reorganizar as escalas após receber a determinação judicial na véspera. Após denúncias de problemas no transporte de eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação em duas horas, até as 19h, nas seções com urnas ainda abertas.
A BBC News Brasil pediu esclarecimentos à Justiça Eleitoral de São Paulo, mas ainda não recebeu resposta.
O PT pediu também à Justiça a prisão do secretário de Transportes da Prefeitura de São Paulo, Celso Jorge Caldeira.
No sábado (24/10), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, determinou que a cidade disponibilizasse 100% da frota à população.
A decisão previa multa de R$ 100 mil e responsabilização pessoal por descumprimento.
Outras cidades também registraram problemas
Outras cidades também registraram problemas.
O prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), disse que encaminharia ao TSE e ao TRE do Pará denúncias contra empresas que estão descumprindo o decreto do Governo do Estado e se recusando a oferecer transporte gratuito para quem sai de Belém para votar em outros municípios.
Nas redes sociais, moradores relataram dificuldade para conseguir pegar balsas e barcos para municípios de locais como a Ilha de Marajó.
"É um absurdo e grave que as pessoas estejam tendo seu direito ao voto prejudicado em um momento tão importante como esse por empresas que não cumprem o que foi determinado!", escreveu Normando.























