Israel toma castelo estratégico no Líbano enquanto expande ofensiva terrestre

Soldados israelenses caminham pelas ruínas do Castelo de Beaufort, cuja fortaleza fica bem acima deles, à esquerda da foto.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Os militares de Israel dizem ter capturado o Castelo de Beaufort, um forte estratégico no sul do Líbano
    • Author, Sebastian Usher
    • Reporting from, Jerusalém
    • Author, Robert Greenall
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

Militares israelenses capturaram o Castelo de Beaufort, localizado no sul do Líbano e considerado ponto estratégico. A ação foi classificada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como uma “mudança decisiva” em sua ofensiva contra o Hezbollah.

A ofensiva ocorre em um momento em que as tropas terrestres se aprofundam cada vez mais no território libanês, para além da linha de demarcação original do rio Litani.

Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) ampliaram a área de alerta para evacuação de residentes no sul do Líbano.

O primeiro-ministro do Líbano acusou Israel de realizar “punição coletiva”.

Situado sobre o vale de Litani, o Castelo de Beaufort tem sido fundamental para controlar a região ao seu redor desde a sua construção, nas Cruzadas, há cerca de 900 anos. O exército israelense a capturou há 44 anos, no que é conhecido em Israel como a Primeira Guerra do Líbano.

Em uma declaração no domingo após sua captura, Netanyahu disse que era “um estágio decisivo e uma mudança decisiva em nossa política”.

“Nós quebramos a barreira do medo. Estamos tomando a iniciativa, estamos operando em todas as frentes — na Síria, em Gaza, no Líbano”, disse ele.

Netanyahu acrescentou que seu objetivo era “aprofundar e expandir nosso controle sobre os lugares que estavam sob o controle do Hezbollah”.

O ministro da Defesa, Israel Katz, relembrou a batalha de 44 anos atrás contra a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) — uma das primeiras da guerra do Líbano. Ele disse que a Brigada Golani, que a tomou na época, havia retornado e hasteado a bandeira israelense acima dela.

Portanto, é uma vitória altamente simbólica e estratégica, no que diz respeito a Israel.

Em 1982, as forças israelenses ocuparam o castelo, que fica a apenas 14,5 km da fronteira israelense, mas partiram em 2000, quando se retiraram de sua zona tampão autodeclarada no sul do Líbano.

Para os libaneses, é o último marco histórico a ser conquistado nos últimos dias, enquanto a cidade de Nabatieh, mais ao norte, parece ser cada vez mais alvo das FDI.

Katz disse que o controle do castelo e da cordilheira sobre a qual ele se ergue foi um passo importante na proteção das comunidades israelenses do outro lado da fronteira.

O último aviso de evacuação realizado por Israel foi o segundo, nos últimos dias, para que residentes deixassem todo o sul do Líbano abaixo do rio Zahrani.

“Qualquer pessoa presente perto de elementos, instalações ou meios de combate do Hezbollah põe em risco sua vida”, disse um porta-voz do Exército.

Ele diz que um “número significativo de soldados terrestres da IDF” estava envolvido na operação, que estava “atualmente se expandindo para áreas adicionais”.

É outra indicação clara de que as forças terrestres israelenses estão se aprofundando cada vez mais no território libanês, além da linha de demarcação original do rio Litani.

Israel diz que está intensificando seu ataque contra o Hezbollah em resposta ao aumento de seus próprios ataques explosivos de drones e mísseis pelo grupo apoiado pelo Irã, tanto contra tropas israelenses no Líbano quanto em comunidades do outro lado da fronteira.

Noeste domingo (31/5), o Ministério da Saúde do Líbano disse que 13 funcionários do hospital foram feridos em um ataque aéreo nas proximidades do hospital Hiram, em Tiro, no sul do país, que causou danos significativos.

Os militares confirmaram que outro soldado foi morto, enquanto escolas em comunidades no lado israelense da fronteira foram fechadas por precaução.

No sábado, o Hezbollah disparou cerca de 25 projéteis contra essa área, provocando apelos de políticos israelenses da oposição para que o governo fizesse mais para garantir a segurança dos residentes.

O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam fez um discurso televisionado no qual acusou Israel de uma “política de terra arrasada e punição coletiva” no sul do país.

E a França, que tem laços históricos com o Líbano, solicitou uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir as operações militares israelenses.

O presidente Emmanuel Macron disse no X que “é urgente que as armas se silenciem — todas elas, e para sempre”.

“Nada justifica a grande escalada atualmente em andamento no sul do Líbano”, acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, disse à rede francesa BFMTV que a situação foi um “grande erro para Israel”.

Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que o avanço do exército israelense no sul do Líbano era um “motivo de séria preocupação”.

“Qualquer nova escalada exacerbará a situação já tensa e provocará novas ondas de deslocamento no Líbano”, acrescentou em um comunicado.

Autoridades israelenses disseram que os ataques do Hezbollah estão violando o acordo de cessar-fogo temporário entre os governos israelense e libanês, que foi estendido duas vezes desde que entrou em vigor no mês passado.

Autoridades libanesas apontaram os próprios ataques israelenses como violações.

As acusações mútuas significam que o cessar-fogo está essencialmente em frangalhos, mas mesmo assim uma quarta rodada de negociações entre delegações dos dois governos deve ser realizada em Washington nesta semana.

Salam disse que essa é a única rota do Líbano para sair do conflito, mas o Hezbollah não está envolvido. E o governo e o exército libaneses, como sempre, só podem assistir como espectadores ao último confronto entre Israel e o Hezbollah.

O Líbano foi arrastado para a guerra entre os EUA e Israel de um lado, e o Irã do outro, em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Israel respondeu com uma campanha aérea em todo o Líbano e uma invasão terrestre.

Desde então, as autoridades libanesas dizem que mais de 3,3 mil pessoas foram mortas, enquanto houve 25 mortes de militares israelenses.