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Planeta e Clima
 - 
Rafael Gomez
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<description>Informações e análises sobre questões que afetam o meio ambiente.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Thu, 28 May 2009 23:57:14 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Um perigoso sol submarino</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="suncoral217.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/suncoral217.jpg" width="386" height="217" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></span><br />
<br><br><br><br><br><br><br><br><br><br>Se você gosta de mergulhar e mora no sudeste, provavelmente você já esteve em Ilha Grande (RJ). Até umas semanas atrás, não era meu caso, mas decidi que já era hora de corrigir esse erro imperdoável e lá fui eu. </p>

<p>Saí com um barco até o local de mergulho. O tempo estava ótimo, não chovia fazia algum tempo e o mar estava uma piscina, o que ajudou a ver direito a incrível fauna marinha. Além dos inevitáveis sargentinhos - um peixe nada tímido e bem comum por aqui, com listras verticais - vi moreias, tartarugas, peixes-borboleta e muitos corais.</p>

<p>E, entre esses corais coloridos, um parecia onipresente. Geralmente amarelo, o coral-sol (do gênero <em>Tubastraea</em>) forma colônias circulares com uns 15 cm ou mais de diâmetro, com pólipos filamentosos que só se abrem na escuridão. Como na foto aí em cima. </p>

<p>São lindos, e eu quis saber mais a respeito deles. Qual não foi minha surpresa quando descobri, com o biólogo dono do barco, que esse ser vivo na verdade é uma praga que está rapidamente se espalhando pelos melhores locais de mergulho do sudeste, especialmente Ilha Grande.</p>

<p>Ele me contou que o coral-sol, natural do Indo-Pacífico, surgiu na região há alguns anos trazido pelos navios vindos de oceanos distantes. Durante a navegação, o navio carrega dentro de si litros e litros de água que servem para estabilizá-lo em determinadas condições - a chamada água de lastro. Dentro dessa água, coletada às vezes a milhares de quilômetros do Brasil, também são transportados espécies locais. Ao soltar a água no litoral brasileiro, essas espécies encontraram uma nova fronteira para proliferarem - e muito. Há outras hipóteses para o surgimento desse "estrangeiro", que começou a ser registrado no litoral brasileiro na década de 80. Biólogos acreditam que eles podem ter vindo parar aqui ao se fixarem no casco de navios, por exemplo.</p>

<p>O coral-sol, que se reproduz bem rápido, compete diretamente com espécies nativas de coral, entre elas o coral-cérebro (<em>Mussismilia hispida</em>), que só existe na costa brasileira. O dono do barco disse que há projetos para remover eles manualmente, em mutirões. Há, por exemplo, <a href="http://www.uerj.br/modulos/kernel/index.php?pagina=461&cod_modulo=642">uma iniciativa interessante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro</a>. Ainda assim, meu amigo disse que, como morador de Ilha Grande, acha que esses projetos ainda são muito tímidos. Terminamos a conversa com eu falando a ele que tinha um aquário de água salgada em São Paulo e ele me incentivando a arrancar uns corais-sol para levar para casa. Daria muito trabalho e desisti.</p>

<p>De volta à capital paulista, fiquei pensando na sugestão do biólogo e fui à minha loja de aquários favorita procurar um coral-sol para comprar. Encontrei. Mas aí, desisti de levar, absolutamente inconformado com o preço: R$ 75 por uma mudinha pequena, US$ 380 por uma grande. Aquarismo marinho é um hobby bem caro, mas cobrar isso por uma praga me pareceu uma piada. Aí o vendedor explicou: "Esses aí não são nacionais. O Ibama proíbe a venda de corais nacionais. Esses são importados."</p>

<p>Por incrível que pareça, até hoje o não tem uma lista nacional de espécies exóticas e invasoras. Alguns Estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, já produziram suas relações. No seu site, <a href="http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=174">o Ministério do Meio Ambiente admite que "as informações relacionadas a este tema são, ainda, incipientes", mas anunciou o início de um "amplo e efetivo programa voltado às espécies exóticas invasoras"</a>. Depois, em uma conversa por telefone com um representante do Ministério, descobri que um diagnóstico nacional de espécies invasoras está para ser publicado nos próximos meses.</p>

<p>A importância de se ter esse diagnóstico é clara: em muitos casos as pessoas nem sabem que uma espécie é invasora e pode ser na verdade uma ameaça. Aliás, muitas pessoas, pensando na preservação do meio ambiente, defendem com unhas e dentes que as pessoas não pesquem, não caçem, não coletem nem vendam espécies que encontram na natureza. Mas veja o caso do coral-sol. Saber quais espécies são "alienígenas" também permite a formulação de estratégias para evitar que proliferem.</p>

<p>Cientistas dizem que o mundo perdeu 19% de seus recifes de coral desde 1950 e outros 15% estão seriamente ameaçados de desaparecer nas próximas duas décadas. Neste ano, pela primeira vez, o relatório Status dos Recifes de Mundo, da Rede Mundial de Monitoramento de recifes de Coral, dedicou ao Brasil um capítulo especial. O documento destaca como os corais brasileiros estão em perigo devido à poluição, a sedimentos e doenças. Com o coral-sol, e outras espécies invasoras, esse perigo à rica fauna marinha brasileira está cada vez maior.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rafael Gomez 
Rafael Gomez
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	<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/planeta_clima/2009/05/um_perigoso_sol_submarino.shtml</link>
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	<category>planeta</category>
	<pubDate>Thu, 28 May 2009 23:57:14 +0000</pubDate>
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