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<title>
London Talk
 - 
Andrea Wellbaum
</title>
<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/</link>
<description>Novidades, curiosidades sobre o cotidiano na capital britânica.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Mon, 02 Mar 2009 13:59:11 +0000</lastBuildDate>
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<item>
	<title>O parto do passado é o do futuro</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="gravida203.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/gravida203.jpg" width="203" height="152" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Esta é minha última semana de trabalho antes de entrar de férias e licença-maternidade, então achei que deveria deixar aqui meu post de despedida, já que devo voltar ao batente apenas no ano que vem. </p>

<p>Aqui na Grã-Bretanha, temos uma licença remunerada (porém não com o salário integral) durante seis meses e outros seis meses de licença não-remunerada. Para as mães brasileiras, pode parecer uma maravilha, mas as licenças em outros países da Europa costumam ser ainda mais generosas!</p>

<p>Quando cheguei em Londres, há 4 anos e meio, tinha jurado que nunca teria meu bebê neste país. Tinha ouvido várias experiências extremamente traumáticas, de midwifes (as responsáveis por fazer seu parto quando você não tem de ter uma cesárea) grossas e desatenciosas, de procedimentos errados adotados em situações de emergência, de mães machucadas depois do uso de fórceps... a lista era interminável. </p>

<p>E uma das práticas mais inimagináveis para a maioria das brasileiras era o parto sem nenhum tipo de anestesia. Quando a possibilidade de ter um bebê ainda estava distante, ficava me perguntando por quê eu deveria passar por este sofrimento.</p>

<p>Porém, os anos foram passando, me informei mais e mais sobre o assunto e há pelo menos dois anos a idéia de parir nesta terra já não era algo tão assustador. Em relação à anestesia peridural para aliviar a dor, mudei de lado: quero fazer o máximo para não ter de tomá-la.<br />
 <br />
Sei que posso me arrepender amargamente do que vou escrever aqui, mas pelo menos neste momento, a menos de um mês do parto, estou bem feliz de dar à luz na Grã-Bretanha. </p>

<p>Se tudo correr conforme o planejado (o que já sei que poucas vezes acontece), terei um parto natural, sem anestesia, dentro da água. Sei que poderia ter um parto destes no Brasil, mas provavelmente teria de pagar caro para ter um serviço que aqui terei pelo sistema público. </p>

<p>Aliás, outra tendência que vem aumentando por aqui são os partos em casa. Muitos ainda são feitos por midwifes particulares, mas todos os hospitais públicos também disponibilizam o serviço e tenho ouvido algumas experiências fantásticas pelo sistema público.</p>

<p>O que se percebe aqui é uma volta ao passado, uma valorização da forma mais antiga de dar à luz. Menos intervenções médicas e mais respeito aos instintos naturais da mulher durante o trabalho de parto. </p>

<p>Não é preciso ser nenhum especialista para saber que quando uma mulher está deitada em uma cama o bebê não conta com a ajuda da gravidade para sair do útero e pode demorar mais em sua jornada para o mundo. Por isso, existe um incentivo cada vez maior ao partos verticais, com a mulher de pé ou de cócoras. </p>

<p>Também não é preciso parar para pensar muito para saber que ficar de pernas abertas em frente a um monte de pessoas desconhecidas sob uma poderosa luz fluorescente de hospital ouvindo a palavra: "Empurra! Empurra!", como se fosse um grito de guerra de estádio de futebol não é a experiência mais prazerosa do mundo e tem tudo para potencializar uma dor que talvez seria menos intensa em um lugar calmo, menos iluminado, com uma música tranquila de fundo e o menor número de pessoas olhando para você. Estes lugares são chamados de "birthing centres", locais que contam apenas com midwifes (não existem obstetras nem anestesistas), que tentam fazer a grávida ter uma experiência parecida com a que teria se estivesse em sua casa.</p>

<p>Não sei como será minha experiência e confesso que estou cada vez mais ansiosa para a hora H. Continuo achando que o sistema de saúde daqui tem lá suas falhas e que como brasileira sinto falta de um acompanhamento pré-natal mais pessoal. Mas no fim das contas, até agora tive todo o tratamento necessário e se tudo culminar com uma bela experiência de parto, que resulte em um bebê e uma mãe saudáveis, melhor ainda!<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
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	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 13:59:11 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O Chelsea perdeu uma torcedora</title>
	<description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="scolari.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/scolari.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Confesso que não sou uma profunda entendedora de futebol e que o pouco que sei aprendi por osmose por ser casada com um corintiano roxo viciado no assunto. Portanto, me aventurar a escrever este blog é realmente um sinal de que fiquei revoltada com a demissão do Felipão do Chelsea e com o que andaram falando sobre ele nesta semana.</p>

<p>Um deles foi que Luiz Felipe Scolari não sabe dirigir clubes, apenas seleções. Aqui na Grã-Bretanha, muitos se esquecem que existe vida abaixo da linha do Equador, portanto, muitos acham que o Felipão foi "apenas" técnico das seleções brasileira e portuguesa e ignoram o fato de ele ter sido campeão em vários torneios importantes (pelo menos para os que vivem abaixo da linha do Equador) com o Grêmio e o Palmeiras...</p>

<p>Um jornal britânico online, o <em>Mirror</em>, elencou dez motivos que fizeram Luiz Felipe Scolari ser demitido, entre eles a perda de apoio dos fãs e dos próprios jogadores, que estariam questionando as táticas e as substituições feitas por ele. </p>

<p>Além disso, o time comandado por ele não estaria perdendo apenas para os grandes clubes, mas também para times menores.</p>

<p>Houve críticas também em relação à insistência em apostar em alguns jogadores, como em Deco, que foi comprado após o que o jornal classificou de uma péssima temporada no Barcelona.</p>

<p>Felipão também teria se tornado um "técnico azarado", já que jogadores importantes do Chelsea se machucaram ou não estavam em sua melhor forma física. Além disso, Felipão teria perdido uma das maiores estrelas do futebol britânico atual quando seu contrato com o Chelsea já estava praticamente fechado: Robinho (que, aliás, mostrou na noite desta terça-feira que o Manchester City fez bem em gastar milhões de libras para convencê-lo a ir para o 'pequeno' clube).</p>

<p>O técnico brasileiro também teria parado de se comunicar com os fãs. Deixou de conceder entrevistas antes e após os jogos e sua dificuldade em se expressar em inglês teria prejudicado seu poder de convencimento de que estava tomando as decisões corretas.</p>

<p>Talvez eu concorde um pouco com o problema de comunicação. Sou uma grande fã do Felipão e sempre que uma entrevista sua era transmitida pela televisão, eu parava para assisti-la, porque adorava seu jeito de falar inglês e como ele ficava mais doce ao se expressar na língua estrangeira. Mas talvez os fãs quisessem um técnico mais "durão" e este jeitinho dele - apesar de fazer eu gostar ainda mais do Felipão - tenha transmitido um pouco de insegurança.</p>

<p>Para quem ficou curioso, aqui vai um trecho de uma das últimas <a href="http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/teams/c/chelsea/7826560.stm">entrevistas coletivas </a>de Felipão pelo Chelsea.</p>

<p>Seja qual for a razão, um outro jornal, o 'Independent', trouxe uma avaliação completamente diferente do que ocorreu na última segunda-feira: o que foi classificada de "brutal demissão" de Felipão teria sido resultado dos caprichos de um bilionário russo, Roman Abramovich, o dono do Chelsea. </p>

<p>O brasileiro seria apenas mais um na lista de técnicos dispensados pelo russo quando o time apresentava sinais de fraqueza. Segundo o autor da coluna do jornal, Abramovich também demonstrou insatisfação com um dos antecessores de Felipão, o português Jose Mourinho - ainda considerado um ídolo entre muitos torcedores do Chelsea - e começou a se intrometer em suas decisões como técnico. Tudo indica que a decisão de mandar Felipão embora tão repentinamente tenha partido unicamente do milionário. </p>

<p>O colunista diz que o que Abramovich ainda não aprendeu foi "deixar um técnico forte comandar", pois é assim que um treinador conquista respeito entre os jogadores, os fãs e a diretoria do clube. </p>

<p>Vou sentir falta do Felipão. E vou torcer contra o Chelsea daqui para a frente!<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 18:10:58 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Nove meses de muita informação</title>
	<description><![CDATA[<p>Grávidas têm tendência a achar que o mundo gira em torno da barriga delas e não conseguem falar sobre nada que não esteja ligado à "condição interessante" (classificação esta de um colega da redação) em que elas se encontram. Apesar de tentar continuar sendo uma pessoa normal, este post é um dos meus vários momentos de deslize.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="gravida203.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/gravida203.jpg" width="203" height="152" class="mt-image-none" style="" /></span></p>

<p>Hoje comprei meu terceiro livro sobre gravidez pela internet e, de quebra, recebi meu quarto emprestado de uma colega grávida da redação. Em um daqueles depoimentos de compradoras do livro que você está pensando em adquirir pela internet, uma leitora disse ter lido 15 durante a gravidez!</p>

<p>É normal as grávidas de primeira viagem terem mil dúvidas e perguntas e tentarem entender cada reação nova (e são tantas!) do corpo. Aqui, recorremos aos livros e a sites especializados na internet (este é o meu favorito: www.babycentre.co.uk). No Brasil, a tática é bem mais simples. Como disse uma amiga minha: "É só escolher um médico e pronto!". Não sei se esta é a regra, mas ouvi dizer que cada dúvida, cada reação diferente significa um telefonema para o médico.</p>

<p>O problema é que aqui o sistema é bem diferente. A partir do momento em que você descobre que está grávida, você marca uma consulta com seu clínico geral, que te dá um livreto com instruções básicas sobre a gravidez, como que comidas devem ser evitadas, que métodos para dar à luz estão disponíveis e várias outras dicas. </p>

<p>Os primeiros exames ocorrem apenas por volta da 12ª semana. E o acompanhamento passa a ser feito não por um obstetra, mas sim por uma "midwife", que poderia ser traduzido como uma parteira, mas é mais do que isso. É alguém que te orienta durante os nove meses (ou melhor, os seis meses restantes) de gravidez. </p>

<p>O problema é que a cada consulta - que são bem espaçadas uma da outra - é uma midwife diferente que faz o atendimento, o que impede que haja um acompanhamento mais pessoal do processo, como ocorre no Brasil. Não é raro se descobrir apenas na hora do parto que uma midwife que você nunca viu antes vai fazer seu parto. Médico obstetra só aparece se houver alguma complicação.</p>

<p>Talvez porque o grupo de brasileiros no qual eu me incluía - os com plano de saúde particular -  seja tão "mimado" pelos médicos, a sensação aqui no Reino Unido é de um pouco de desamparo. E talvez seja por isso que recorremos mais aos livros. Pode ser que estejamos nos sobrecarregando de informações, mas a prática me deu segurança.</p>

<p>Há poucos meses, eu ficava horrorizada só de pensar em dar à luz no sistema público britânico. Hoje em dia, após centenas de páginas de leitura, meus temores diminuíram consideravelmente, apesar de uma parte de mim ainda morrer de ansiedade e medo de que algo dê errado na hora H. Mas, acho que este é um temor universal de grávidas, não?!</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
</dc:creator>
	<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/09/excesso_de_informacao.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 15:20:07 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Londres não é mais a mesma...</title>
	<description><![CDATA[<p>No começo do ano, a ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, causou polêmica ao admitir que não se sente segura para andar nas ruas de Londres durante a noite, seja em Hackney - uma área com uma população menos abastada e com índices de criminalidade relativamente altos - ou em Chelsea - um dos bairros mais chiques da cidade.</p>

<p>Na época, os principais partidos de oposição se aproveitaram da declaração para criticar o governo trabalhista - do qual Smith faz parte -, de ter deixado a criminalidade aumentar e ter feito com que os habitantes de Londres fossem privados de um privilégio que moradores de outras metrópoles como Nova Iorque, Paris, Berlim e Tóquio ainda teriam.</p>

<p>Apesar de os números mais recentes da polícia metropolitana de Londres mostrarem que o índice geral de criminalidade caiu (embora o número de crimes com armas tenha aumentado) hoje um episódio mostra que a cidade não é mais a mesma, incluindo o Chelsea.</p>

<p>Houve um tiroteio entre policiais e homens armados em plena King's Road - considerada uma das ruas mais chiques de Londres, com lojas caríssimas, freqüentada por muitas pessoas que podem comprar nelas.</p>

<p>Como o incidente ocorreu há duas horas do momento em que estou escrevendo este post, ainda existem poucos detalhes. Aparentemente, tiros foram disparados de dentro de uma joalheria e a polícia na área revidou.</p>

<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="chelsea203.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/chelsea203.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></span><br />
<strong>Ambulâncias de prontidão na King's Road, nas proximidades do tiroteio</strong></p>

<p>Os canais locais, especialmente a SkyNews, estão fazendo uma cobertura à la "Cidade Alerta" e confesso que não tenho saudades deste tipo de programa, por dois motivos: porque exploram a desgraça dos outros e porque mostram que desgraças acontecem.<br />
O ideal seria viver em uma cidade onde elas não acontecem e é triste ver na televisão que Londres não é uma delas...</p>

<p>Eu já tinha percebido a cidade diferente quando voltei de uma temporada no Cairo, há pouco mais de seis meses. Nos mudamos para Holloway, que, por um lado obviamente é longe de ser um Chelsea, mas também não é considerado complicado como Hackney.</p>

<p>Um noite, voltando por volta das 23h da minha aula de yoga, desci do ônibus e subi a pé a Caledonian Road. Em menos de cinco minutos estaria no conforto de casa. Porém, um adolescente desocupado resolveu me meter em uma situação para lá de desconfortável antes disso. </p>

<p>Era um destes "hoodies", como são chamados aqui os trombadinhas, e assim que ele me avistou do outro lado da rua, saiu do ponto de ônibus e grudou do meu lado - literalmente. Eu gelei. Não era algo que eu esperava acontecer comigo em Londres e eu me senti extremamente vulnerável. </p>

<p>Em São Paulo, já passei por várias tentativas de assalto no trânsito ou no farol e sempre me refugiei na proteção do carro, quaisquer fossem as minhas reações no momento (já foram várias, desde fechar o vidro na mão do cara até mandá-lo para o inferno aos berros e vê-lo sair correndo assustado com minha reação inesperada). Mas ali estava eu, na Londres onde eu costumava andar sem medo às 2h da madrugada, com um trombadinha do meu lado falando que me seguiria até em casa se eu não passasse minha bolsa para ele.</p>

<p>O que eu deveria fazer? Gritar por socorro? Sair correndo? Não gritei, porque fiquei com medo de ele ter uma faca a tiracolo (muitos crimes aqui são cometidos com facas). Não corri, porque supus que depois de uma cansativa aula de yoga ele me alcançaria em um piscar de olhos.</p>

<p>Como meu marido sempre me disse que sou muito explosiva, resolvi não reagir. Aliás, ignorei o hoodie e fingi que ele não estava ali - apesar de meu coração bater desesperadamente e os dois quarteirões até em casa terem parecido estar a quilômetros de distância. Vi que ele foi ficando nervoso com a minha não-reação, falando mais perto do meu rosto, com mais raiva, quando... fui salva pelo ônibus do infeliz, que passou pelo ponto que ele tinha abandonado para me importunar. E lá foi o moleque correndo enlouquecidamente para pegar o ônibus.</p>

<p>Cheguei em casa chorando e não sei se chorava mais por causa do susto ou por ter sido o primeiro dia em que comecei a não me sentir mais tão segura em Londres.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
</dc:creator>
	<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/05/alo.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 06 May 2008 19:25:21 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O humor britânico</title>
	<description><![CDATA[<p>Apesar de a Inglaterra ser um país cinzento e frio durante a maior parte do ano, as pessoas aqui têm um humor que para mim bate o de qualquer país do mundo. Assim sendo, elas teriam de colocá-lo em prática neste 1º de abril. Diferentemente do Brasil, aqui até a imprensa entra na onda e publica várias notícias mentirosas, confiando no bom senso de cada um para distinguir as notícias falsas das verdadeiras.<br />
Por uma fração de segundos, confesso ter caído na mentira da BBC: vi algumas imagens de pingüins levantando vôo e fiquei estupefata. Pensei comigo mesma: "Mas desde quando pingüim voa???".<br />
As imagens fariam parte da nova série da BBC, sobre a evolução das espécies, que teria revisitado vários lugares por onde passou Charles Darwin.<br />
Em seguida fiquei sabendo que era brincadeira de 1º de abril. Mas dêem só uma olhada para ver como o pessoal aqui se esforça para fazer os outros de palhaço:</p>

<p><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/23qDl1aH9l4&hl=en"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/23qDl1aH9l4&hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>

<p>Vale registrar: engoli o vídeo dos pingüins porque só vi 10 segundos, viu?! Não vi os bichos voando para a Amazônia para fugir do frio!</p>

<p>A BBC tem uma tradição de mentiras de 1º de abril pelo menos desde 1957, quando o respeitável programa Panorama mostrou um documentário sobre a plantação de espaguete na Suíça. Segundo o programa, um inverno ameno propiciou a plantação de espaguete e as imagens mostram mulheres colhendo espaguetes das árvores. Um grande número de telespectadores ligou para a BBC para saber como plantar sua própria árvore de espaguetti e a BBC respondeu: "Coloque um broto de espaguete em uma lata de molho de tomate e torça para dar certo."</p>

<p><a href="http://news.bbc.co.uk/player/nol/newsid_7180000/newsid_7185500/7185593.stm?bw=bb&mp=wm&news=1&bbcws=1">Vídeo do espaguete (1957, em inglês)</a></p>

<p>De volta a 2008, os jornais britânicos também publicaram uma série de matérias falsas. Aqui vão algumas delas:</p>

<p>- O Daily Star publicou uma matéria em que o protagonista dos últimos filmes do 007, Daniel Craig, diz que a imagem de James Bond deveria ser modernizada e que o agente secreto deveria ser bissexual. "Acho que hoje em dia os fãs iriam aceitar isso", diz Craig, que conquistou vários fãs gays com seu papel em Casino Royale, diz o Daily Star.</p>

<p>- Já o The Sun publicou uma matéria afirmando que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, vai se submeter a uma cirurgia para aumentar sua altura, para que ele possa olhar nos olhos da mulher, Carla Bruni. A operação, que seria realizada na clínica médica Poisson D'Avril, aumentaria a altura de Sarkozy em quase 13 centímetros.</p>

<p>- Jornal sério, como o The Guardian, também entrou na onda, com outra notícia envolvendo a mulher de Sarkozy. Disse o jornal que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, nomeou Bruni para trazer mais estilo e glamour à vida britânica. No anúncio da nomeação, Brown diria que durante muito tempo a Grã-Bretanha sofreu com um complexo de inferioridade em relação a outros países europeus, como França e Itália, que têm cidadãos sofisticados e cheios de estilo. A primeira tarefa de Bruni seria dar uma melhorada na culinária e nos trajes dos britânicos.</p>

<p>As rádios também entraram na onda e uma delas "tocou" uma música inaudível para o ouvido humano, mas que teria efeito em hamsters. A música, na verdade, era apenas silêncio, mas vários ouvintes ligaram para contar o que aconteceu com seus bichinhos. Um deles disse que, no início, o hamster não teve reação nenhuma, mas que depois começar a andar para trás.</p>

<p>E chega de mentira!<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
</dc:creator>
	<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/04/o_humor_britanico.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 16:17:15 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>É tempo de consumir</title>
	<description><![CDATA[<p><img alt="sales300.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/sales300.jpg" width="300" height="150" /></p>

<p>Diferentemente do Brasil, onde o Natal e o Ano Novo são a cerimônia de abertura de mais uma temporada deliciosa de verão, aqui as festas são um dos únicos pontos altos do inverno. Portanto, quando a época de festas termina, começa um período melancólico de hibernação. </p>

<p>Mas os habitantes do hemisfério norte encontraram uma forma bem feminina de afugentar a depressão: a temporada de liquidações! Tudo começa logo depois do Natal, dia 26 de dezembro, no chamado Boxing Day. </p>

<p>O nome sempre me intrigou. Outro dia ouvi uma explicação bastante condizente com a realidade atual: a troca de caixas (boxes) de presentes, ou seja, o dia em que você troca aquilo que não te serviu (em tamanho ou em gosto). </p>

<p>Mas a Wikipédia dá uma outra explicação para o Boxing Day, que dataria da Idade Média e seria o dia em que as pessoas mais abastadas dão presentes aos empregados ou às pessoas de classes sociais mais baixas. Porém, a prática parece ter sido totalmente esquecida numa das terras mais consumistas que conheço e atualmente todos estão muito mais preocupados em aproveitar o dia para dar presentes para si mesmo.</p>

<p>As "winter sales", no entanto, têm seus atrativos. E a abertura não está entre eles. Quando cheguei em Londres prometi a mim mesma que um dia eu enfrentaria o frio e a escuridão de uma madrugada do dia 26 só para participar daquele momento que TVs em todo o mundo exibem, de pessoas na porta de lojas de departamentos como Harrods e Selfridges correndo e se acotovelando entre o mar de gente para garantir bolsas e outros artigos de marcas caras (muitas vendidas posteriormente no eBay). </p>

<p>Levanto as mãos para os céus em agradecimento por meu espírito consumista não ter chegado a tal ponto e após quatro liquidações de inverno esta idéia 'de participar das manias londrinas' nunca mais ter passado pela minha cabeça...</p>

<p>Mas, vamos às vantagens: diferentemente do Brasil, a palavra liquidação realmente é levada ao pé da letra. Nada de anúncios de "descontos de até 50%" e entrar na loja e perceber que apenas a peça de roupa mais encalhada e horrível está pela metade do preço enquanto que todos os outros artigos têm descontos de no máximo 10%. </p>

<p>É na temporada de winter sales que tenho coragem de entrar em lojas que considero caras o ano todo e me dar ao luxo de comprar peças de qualidade por um preço que não desperta em mim o sentimento de ter sido explorada. Além disso, existem as irresistíveis barganhas: peças que custam três ou até quatro vezes menos do que custavam até o dia 24 de dezembro. </p>

<p>Até agora consegui me conter e nem passei perto das lojas (apesar de já ter comprado um casaco de frio pela metade do preço mesmo antes da temporada de liquidações, já que várias lojas andaram se antecipando nos descontos para aumentar as vendas de Natal), pois é praticamente impossível evitar a compra de algo desnecessário só pelo prazer de comentar com os amigos que você comprou por quatro vezes menos do que o preço original...</p>

<p>E quem acha que as liquidações se limitam a bolsas, sapatos e roupas está enganado. Para quem está montando ou redecorando a casa, lojas de móveis veiculam anúncios tentadores, como sofás de 999 libras por 499. Para quem quer preparar a lista de leitura para 2008, lojas de livros exibem descontos em grande parte das obras, incluindo best-sellers e lançamentos. </p>

<p>Até supermercados, como uma das maiores redes britânicas, o Tesco, propagandeiam produtos pela metade do preço. E para aqueles que resolveram aproveitar demais todos os descontos, os bancos também entram na onda, com imensos cartazes de "sales" em seus cartões de crédito e empréstimos.</p>

<p>As liquidações duram "até o fim dos estoques" ou normalmente até o fim de janeiro, sendo que os preços vão ficando cada vez menores (atualmente, os descontos já estão em 70%). E se nunca participei do começo das winter sales, sempre dou um pulinho nas lojas no final, já que é hora da "xepa" e o que sobrou pode não ser o objeto de desejo de muita gente, mas às vezes é justamente o que faltava no meu guarda-roupa. E por um preço inacreditavelmente irrisório!<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
</dc:creator>
	<link>https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2008/01/e_tempo_de_consumir_1.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 11:41:08 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Pastel de feira</title>
	<description><![CDATA[<p><img alt="071128Pastel2.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/071128Pastel2.jpg" width="203" height="152" /></p>

<p>Quando se mora muito tempo fora do Brasil (sei que o tempo é relativo, mas para mim, três anos já é muito tempo…), a tendência é ficar com saudades de várias comidas típicas da nossa terrinha, até mesmo aquelas que a gente não costumava comer quando morava no Brasil.</p>

<p>Nos últimos anos, os brasileiros de Londres já puderam matar a vontade de vários vícios, como arroz e feijão com farinha de mandioca, coxinha e até empadinha. Mas faltava um bom pastel, daqueles fresquinhos que comemos na feira, acompanhados de um caldo de cana. Como esta terra não é muito adequada para plantação de cana, o caldo ainda está faltando, mas o pastel chegou!</p>

<p>Não bastasse o pastel ser bom e relativamente barato (1 libra), ele é genuinamente de feira, já que a família do pasteleiro tem mais de 40 anos de tradição em feiras na região do Jabaquara, zona Sul de São Paulo. Além disso, a família do pasteleiro é japonesa e, pelo menos em São Paulo, os melhores pastéis de feira são feitos por japoneses.</p>

<p>O jovem pasteleiro veio para Londres para estudar e diz que o segredo da receita, guardado a sete chaves pela família, só foi repassado a ele pela mãe porque ela acreditava que em caso de necessidade no exterior o filho poderia se virar fazendo pastel. A confecção do salgado começou a ser feita apenas para amigos, que passaram a pedir pastel com cada vez mais frequência. O pasteleiro e a noiva resolveram começar a vender a iguaria, que fez o maior sucesso em uma feira de gastronomia em Londres (onde um pastelzinho de aperitivo era vendido a 4 libras (quase R$ 15!). O pasteleiro diz que já recebeu várias propostas para trabalhar em restaurantes, todas recusadas por ele. “O que eles querem é descobrir o segredo da receita…”, diz ele.</p>

<p><img alt="071128Pastel1.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/071128Pastel1.jpg" width="250" height="320" /></p>

<p>Ele diz que quando abriu o negócio no Nags Head Market, uma feirinha na esquina da Holloway Road com a Seven Sisters Road  (no norte de Londres e, por sorte, perto da minha casa!), 90% de sua clientela era inglesa. “Eles custam a experimentar o primeiro, mas depois disso, voltam sempre.” Após um mês e meio de atividade, o público já é formado por 50% de brasileiros. O pasteleiro vende, em média, 70 pastéis por dia durante a semana e cerca de 400 nos dois dias do fim-de-semana. O trabalho não é fácil. São oito horas em pé em uma banquinha na feira (para amenizar o frio do inverno que está chegando, ele tem um aquecedor portátil atrás do balcão), além do tempo do preparo da massa, em casa.</p>

<p>Por enquanto, o pasteleiro oferece cinco sabores de pastel (queijo, pizza, carne, banana com canela e banana com Nutella), mas em breve ele deve oferecer também o pastel de palmito e o de frango com catupiry. </p>

<p>Pela qualidade do pastel, o jovem e a noiva têm um futuro promissor pela frente!</p>]]></description>
         <dc:creator>Andrea Wellbaum 
Andrea Wellbaum
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 28 Nov 2007 12:53:30 +0000</pubDate>
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