<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">
    <title>BBC - Blog do Editor</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/" />
    <link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/atom.xml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2009-02-13:/blogs/portuguese/48</id>
    <updated>2011-05-05T15:19:22Z</updated>
    <subtitle>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</subtitle>
    <generator uri="http://www.sixapart.com/movabletype/">Movable Type Pro 4.33-en</generator>

<entry>
    <title>Uma década feita de história</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/05/uma_decada_feita_de_historia.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.289847</id>


    <published>2011-05-05T14:23:42Z</published>
    <updated>2011-05-05T15:19:22Z</updated>


    <summary type="html">Os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, marcaram o meu primeiro ano de trabalho aqui na BBC. A morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, marca a minha última semana como diretor da BBC Brasil...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="binladenblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/binladenblog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />Os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, marcaram o meu primeiro ano de trabalho aqui na BBC. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/especial/binladen_morte.shtml">A morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden</a>, marca a minha última semana como diretor da BBC Brasil e meus últimos dias em Londres, antes da minha volta a São Paulo. O violento fim daquele que é considerado o maior terrorista da história também nos lembra quão diferente é a nossa realidade em comparação ao ano em que as torres do World Trade Center desabaram. Não que os ataques da Al-Qaeda tenham mudado o mundo, como muitos disseram na época. Os atentados de certa forma apenas ajudaram a nos avisar que o mundo estava mudando. O aparecimento de novas tecnologias, em especial a internet, o avanço de regiões antes confinadas ao chamado Terceiro Mundo e uma nova percepção do poder e da influência dos Estados Unidos eram processos que já vinham em curso, mesmo que de forma latente. Olhando para trás, é possível concluir que o 11 de Setembro foi apenas um indicativo do tamanho das mudanças que estavam por vir.</p>

<p>As transformações dos últimos anos não estiveram ligadas apenas às novas preocupações com a segurança. A distribuição de poder político e econômico e o próprio meio ambiente do planeta que habitamos são hoje bem distintos. Os atentados de 2001 levaram Washington a invadir o Afeganistão para tirar o Talebã do poder e tentar capturar Bin Laden, numa ação sancionada pela ONU. Menos de dois anos depois, a ganância militar que levou os americanos a operação semelhante no Iraque, dessa vez sem o apoio explícito das Nações Unidas, reforçou a percepção de que os Estados Unidos eram na verdade mais fracos do que se pensava. Não conseguiram vencer duas guerras em países pobres, contra inimigos armados principalmente com explosivos improvisados. Se os iraquianos acabaram se cansando de lutar, os afegãos do Talebã ainda mostram-se um inimigo muito mais difícil de subjugar, em um conflito ainda ativo dez anos depois.</p>

<p>No início de 2011, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110202_analise_egito_jf.shtml">os vários movimentos populares no mundo árabe </a>deram razão a parte do argumento em favor da guerra no Iraque, o de que a região estava preparada para a democracia. Mas, diferentemente do que imaginavam os neo-conservadores americanos, uma nova ordem democrática não seria imposta militarmente, por meio de uma invasão estrangeira. Na Tunísia, no Egito, na Líbia, no Iêmen ou na Síria, os pedidos de democracia vêm de dentro para fora. Além disso, o questionamento do poder dos ditadores não tem sido feito com base em plataformas religiosas. A ideia de que o Ocidente precisa apoiar regimes autoritários para impedir que a região seja governada por Bin Ladens tem caído por terra, pelo menos de acordo com os primeiros meses de revoluções, marcadas pela defesa da democracia e da instalação de regimes civis e laicos. Em 1979, no Irã, os democratas do movimento que derrubou o xá acabaram calados pelo fundamentalismo xiita do aiatolá Khomeini. Nada até agora indica que as revoluções árabes tenham o mesmo destino.</p>

<p>Na economia, o mundo pode não ter virado de cabeça para baixo, mas chegou perto. O liberalismo extremo surgido na era Reagan/Thatcher foi quase nocauteado, vítima dos excessos inerentes à sua sede de expansão. Ao mesmo tempo, os emergentes consolidaram-se como forças industriais ou fornecedores de commodities, em um mundo impulsionado pelo avanço chinês. O cenário desse embate foi, inicialmente, a Organização Mundial do Comércio, onde já no início do milênio o Brasil e outros começaram a acumular vitórias contra as antigas potências comerciais. Contrariando muitas previsões iniciais, a OMC, que começou a operar em 1995, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/reporterbbc/story/2005/01/041217_omcebc.shtml">tornou-se importante arma para nações emergentes</a>, como o Brasil. O governo brasileiro foi fundamental na <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/economia/story/2003/08/030830_omcgenericosdi.shtml">vitória, em 2003, em favor do acesso por países pobres a medicamentos genéricos</a> contra a Aids e outras doenças. Mais um sinal das grandes mudanças que estavam a caminho.</p>

<p>A comunidade internacional não conseguiu chegar a um entendimento sobre regras comerciais, em torno da chamada Rodada Doha, lançada em 2001. Mas, mesmo sem um acordo, o mundo seguiu em frente, de uma forma que parece ter beneficiado muito mais as nações emergentes do que as potências tradicionais. O Brasil <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110411_china_dilma_ss.shtml">passou a ter a China como seu maior parceiro comercial</a> e integra o grupo BRICS, que começou como uma palavra simpática cunhada <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/multimedia/2009/03/090327_jimoneil_brics.shtml">pelo economista Jim O'Neill </a>e transformou-se em uma referência deste mundo novo. Os Estados Unidos e a Europa continuam lutando para superar os efeitos da crise econômica iniciada em 2007, com os americanos rasgando boa parte do livro didático do FMI sobre como conduzir as finanças de um país. Para tirar a nação do atoleiro, as autoridades americanas seguem inflando o mercado de dólares, elevando a pressão inflacionária sobre outros países, como o Brasil. Em vez de liberalismo econômico ortodoxo, o momento é de salve-se quem puder.</p>

<p>Tudo isso enquanto o planeta sofre os efeitos de seu aquecimento. A tese de que o problema é causado pela ação humana foi aceita até pelos Estados Unidos, mas as medidas para controlá-lo têm sido tímidas, com o <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/12/101211_cancun_economist_pai.shtml">acordo de 2010</a> servindo de fio de esperança para o futuro. A batalha pelo meio ambiente talvez seja a que melhor traduza a importância dos últimos dez anos para o mundo como um todo. Foi uma década feita de história, que eu tive o privilégio de acompanhar por meio dos olhos da BBC. Deixo agora o comando da BBC Brasil, enquanto esse processo segue em frente, e com este texto me despeço dos leitores do Blog do Editor. Até breve, em um outro espaço, sempre atento às fascinantes transformações que nos acompanham, dia após dia.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>De novo, os imigrantes</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/04/de_novo_os_imigrante.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.289535</id>


    <published>2011-04-27T11:35:37Z</published>
    <updated>2011-04-30T09:52:09Z</updated>


    <summary type="html">A lista da revista americana Time com as cem pessoas mais influentes do mundo trouxe uma nova líder na qual poucos apostavam até recentemente. Seu avanço no círculo político, após a saída de cena do seu mentor e padrinho, foi...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="imigrantestunisiablog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/imigrantestunisiablog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />A lista da revista americana <em>Time</em> com as <a href="http://www.time.com/time/specials/packages/completelist/0,29569,2066367,00.html">cem pessoas mais influentes do mundo </a>trouxe uma nova líder na qual poucos apostavam até recentemente. Seu avanço no círculo político, após a saída de cena do seu mentor e padrinho, foi uma das grandes novidades recentes na disputa pelo poder em seu país. Não estou falando da presidente Dilma Rousseff, também incluída pela <em>Time</em> na relação e cuja estrela só faz subir, apesar dos enormes desafios do Brasil. Eu me refiro à <a href="http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,2066367_2066369_2066134,00.html">líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen</a>, cuja ascensão entre os eleitores na França é sinal dos tempos. Surfando na onda da crise econômica que continua afligindo o Velho Continente, um novo movimento anti-imigração ganha força entre líderes nacionais e apoio nas urnas ou pesquisas de opinião.</p>

<p>Os premiês da França e da Itália, depois de uma breve crise diplomática envolvendo imigrantes vindos da Tunísia, resolveram se aliar para combater o problema. Nicolas Sarkozy e Silvio Berlusconi apareceram nesta semana lado a lado <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110426_franca_italia_schengen_pai.shtml">para exigir da União Europeia uma revisão do acordo, nascido nos anos 80, que permite o livre trânsito dentro do bloco</a>. É mais um baque para o espírito da UE, cujos principais pilares são a moeda única (abalada pelas crises na Grécia, na Irlanda e em Portugal) e a ausência de checagem de documentos nas fronteiras internas (com exceção das ilhas Grã-Bretanha e Irlanda). Desde a chegada de dezenas de milhares de refugiados das crises políticas no mundo árabe, a preocupação com a imigração aumentou, e as lideranças nacionais sentem-se pressionadas a fazer algo a respeito. Na cabeça de Sarkozy, particularmente, está o nome de Marine Le Pen. A filha de Jean-Marie Le Pen herdou do pai o comando do partido de extrema-direita francês e vem tentando torná-lo uma opção viável nas urnas. Uma pesquisa recente <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/03/110306_lepen_pesquisa_pai.shtml">trouxe Marine na liderança da disputa presidencial</a>, um ano antes das próximas eleições, com o apoio de 23% dos ouvidos. Foi o suficiente para preocupar Sarkozy, que deverá tentar a reeleição, e colocá-la na lista de influentes da <em>Time</em>.</p>

<p>O apoio a políticos que exploram o medo da população local de perder o emprego para trabalhadores estrangeiros não se restringe à França. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110418_nacionalismo_europa_mdb.shtml">Vários países europeus</a> registraram nos últimos anos um crescimento dessa tendência, como a Finlândia, onde a extrema-direita quadruplicou seus votos entre 2007 e 2011, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110417_finlandia_mdb.shtml">chegando a 20% do total no pleito realizado em março</a>. Além disso, a preocupação geral com a imigração (ou com os fantasmas criados em torno do fenômeno) tem forçado políticos mais ao centro a ajustar seus discursos. O atual líder dos trabalhistas na Grã-Bretanha, Ed Milliband, disse dias atrás que o seu partido, quando no governo, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/uk-politics-13133544">subestimou o impacto da imigração na disputa por empregos e moradia no país</a>. O atual primeiro-ministro, o conservador David Cameron, foi além: <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110414_imigracao_cameron_pai.shtml">comprometeu-se com mais restrições</a> contra aquilo que chamou de "imigração em massa".</p>

<p>A atração exercida por muitos anos pelo continente europeu sobre aspirantes a bons empregos e bons serviços sociais tem diminuído desde a eclosão da crise econômica, em 2008. Nações como Irlanda e Portugal, que por muitos anos atraíram trabalhadores de várias partes do mundo, inclusive do Brasil, começam a voltar à característica que tiveram no passado, de exportadores de mão-de-obra. Portugueses céticos diante das atuais dificuldades começam a deixar o país, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110411_portugal_brasil_pu.shtml">numa onda migratória que tem como um dos destinos o Brasil</a>. Já os brasileiros em geral começam a se acostumar, cada vez mais, com a presença de latino-americanos, europeus ou americanos no mercado de trabalho, já que o crescimento econômico tem atraído profissionais, qualificados ou não, de outras nações. O Brasil, cuja sociedade é majoritariamente composta por imigrantes (os índios são os únicos que estão no país há mais de 500 anos), perdeu cidadãos durante décadas, mas volta a receber estrangeiros entusiasmados com seu potencial. Qual será a atitude do país diante desse interesse? Parte dos europeus acredita não poder mais manter suas portas abertas, levando líderes a jogar com as cartas da xenofobia. No Brasil, a disposição de lidar com o diferente também será aos poucos testada, pelo menos enquanto o país for visto como fonte de prosperidade em um mundo imerso na incerteza econômica.<br />
</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>A luta por energia</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/04/tudo_por_energia.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.286700</id>


    <published>2011-04-18T16:02:22Z</published>
    <updated>2011-04-18T17:53:58Z</updated>


    <summary type="html">O filme Guerra do Fogo, de 1981, dirigido pelo francês Jean-Jacque Annaud, conta uma história passada nos primórdios da humanidade. Neandertais e homo sapiens disputam território e recursos, em uma interação decidida pela capacidade do humano moderno de produzir e...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="nuclearblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/nuclearblog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />O filme <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gSWjkYAjAzA">Guerra do Fogo</a></em>, de 1981, dirigido pelo francês Jean-Jacque Annaud, conta uma história passada nos primórdios da humanidade. Neandertais e homo sapiens disputam território e recursos, em uma interação decidida pela capacidade do humano moderno de produzir e controlar o fogo. Tal habilidade viria a definir a conquista da Terra pela humanidade. Há mais de 100 mil anos o homem manipula a natureza para a fabricação de energia, essencial para protegê-lo do frio, cozinhar alimentos e garantir sua segurança em meio à escuridão.</p>

<p>A chegada da eletricidade à vida cotidiana revolucionou nossas sociedades e aumentou drasticamente nossa dependência de energia. Nossa segurança e visibilidade noturnas passaram a ser garantidas não mais pelo fogo, mas por fios de conexão e sistemas de distribuição de eletricidade, cuja geração passou a ser feita das mais diversas formas. Hoje sabemos que as mais tradicionais são nocivas ao meio ambiente. O relativo consenso que se formou em torno da principal causa do aquecimento global, a emissão de gás carbônico na atmosfera, transformou em vilã quase toda produção de energia, praticamente associando a vida em centros urbanos à inevitável destruição do nosso habitat natural. Até mesmo a operação hidrelétrica, não associada diretamente à emissão de carbono e considerada limpa a partir do início da produção energética, tem enorme impacto sobre comunidades e a natureza na sua fase de implantação. Produzir e consumir energia são atividades hoje tão perigosas ao planeta quanto essenciais à nossa vida moderna.</p>

<p>O assunto tornou-se mais complexo após o terremoto e tsunami no Japão, no mês passado. O acidente na usina nuclear de Fukushima foi de repercussões atômicas no debate sobre a validade e os riscos dessa matriz energética, considerada por muitos uma alternativa essencial no combate ao aquecimento global. Em comparação a qualquer outra produção de energia fóssil (carvão, petróleo, gás natural), ela é relativamente limpa, mas envolve o risco de vazamento de radiação e a inevitável produção de lixo radiativo. Isso já se sabia, mas o acidente de Fukushima deu novas cores à polêmica. Na Europa, a reação imediata foi o anúncio de <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/03/110325_europanuclear_pai.shtml">novos testes de segurança nas instalações nucleares no continente</a>. Apesar das promessas do governo alemão de rever a decisão de aumentar a vida útil de suas usinas, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/03/110326_alemanha_nuclear_rp.shtml">milhares de pessoas protestaram em Berlim </a>contra a produção de energia nuclear no país. A preocupação dos alemães foi tanta que o apoio ao Partido Verde local disparou, dando à legenda <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/03/110327_alemanha_pleito_rc.shtml">uma histórica vitória nas eleições do Estado de Baden-Wurttemberg</a>, uma derrota amarga para a chanceler Angela Merkel. Do ponto de vista de grande parte da Europa, a tragédia japonesa enfraqueceu o argumento em favor da energia nuclear.</p>

<p>Muitos, entretanto, não se cansam de repetir o que para outros é uma tese difícil de aceitar: o aquecimento global não poderá ser contido ou mesmo minimizado sem a ajuda da energia nuclear. Um dos que abraçaram essa linha de raciocínio foi o jornalista/ativista britânico, e conhecido defensor do meio ambiente, George Monbiot. Após o desastre de Fukushima, Monbiot <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/mar/21/pro-nuclear-japan-fukushima">decidiu aceitar a energia nuclear como uma alternativa menos ruim para salvar o planeta </a>da destruição causada pelos combustíveis fósseis, após se convencer de que os danos à saúde causados pela radiação são menores do que se pensava. Sua posição, no entanto, está longe de ser unânime, tendo provocado a ira de ativistas <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2011/apr/11/nuclear-apologists-radiation?INTCMP=SRCH">como a australiana Helen Caldicott,</a> que há décadas luta para expor o que considera <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110412_japao_nuclear_qa_is.shtml">perigos da radiação</a>. No embate que os dois travam nas páginas do jornal <em>The Guardian</em>, Caldicott diz que Monbiot distorce evidências sobre os riscos da energia atômica, enquanto o jornalista argumenta que abandonar essa opção resultaria em um desastroso agravamento do aquecimento global.</p>

<p>A empresa que opera o complexo de Fukushima <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110417_japao_usinas_pu.shtml">prometeu controlar o vazamento radioativo até o final do ano</a>, dias depois de o acidente ter sido elevado ao mesmo nível de gravidade do de Chernobyl. Se essa previsão de confirmar, é bem possível que o grau de preocupação com acidentes nucleares volte ao mesmo padrão anterior ao devastador terremoto japonês. A conscientização sobre os riscos para a humanidade do aquecimento global (desertificação de enormes áreas, inundações etc) pode manter viva a opção da energia nuclear. Mas o medo de um inimigo invisível, cujos rastros de danos podem durar por décadas ou gerações, deve garantir uma significativa oposição à opção radiativa. O ser humano não quer voltar aos tempos em que calor e proteção eram obtidos apenas por meio de peles de animais e tochas, e espera-se que mais prioridade seja dada às fontes renováveis e de menor prejuízo à natureza e à saúde da população. Mas a luta da humanidade em busca de energia continuará, e grande parte da sua produção seguirá, por um bom tempo, causando danos à vida na Terra. Continuaremos pagando um preço alto pelas conquistas da vida moderna.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>China, nação vencedora</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/04/quem_venceu_a_guerra_fria.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.282468</id>


    <published>2011-04-07T14:06:54Z</published>
    <updated>2011-04-10T15:58:09Z</updated>


    <summary type="html">A Guerra Fria acabou há 20 anos. Em 1991, a linha-dura soviética, ciente de comandar um império moribundo, tentou impedir o inevitável. Primeiro, com uma última invasão dos países bálticos e meses depois, em agosto do mesmo ano, com o...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="chinablog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/chinablog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />A Guerra Fria acabou há 20 anos. Em 1991, a linha-dura soviética, ciente de comandar um império moribundo, tentou impedir o inevitável. Primeiro, com uma última invasão dos países bálticos e meses depois, em agosto do mesmo ano, com o fracassado golpe contra Mikhail Gorbachev. Em poucos meses, entretanto, ficou claro que o conflito entre Ocidente e Oriente chegara ao fim. A Rússia não apenas via seu império ruir, mas experimentaria anos depois um colapso econômico e a proliferação de movimentos separatistas no Cáucaso, acompanhados de guerras e ações terroristas. A entrada em cena do quase czar Vladimir Putin, na virada do milênio, recuperou parte do orgulho nacional. Mas, quando o assunto é Guerra Fria, não há dúvidas: os russos perderam.</p>

<p>Mas quem realmente venceu? Os registros históricos dos últimos 20 anos dão a vitória aos Estados Unidos, ou ao chamado Ocidente. Líderes como Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Helmut Kohl saíram do conflito com medalhas de ouro no peito. Duas décadas depois, entretanto, tal vitória parece mais discutível, e um nome alternativo começa a colher dividendos mais permanentes do fim da Guerra Fria. Nos anos 80, enquanto americanos e russos ainda se degladiavam, os chineses absorviam o capitalismo na sua economia, mantendo a política centralizada, sob controle comunista. O que aconteceu todos sabemos: a República Popular da China correu por fora, dominando o comércio mundial e aumentando ano a ano sua influência internacional. Os chineses seguem rumo à posição de superpotência econômica e política, em um mundo que ainda especula sobre como Pequim exercerá esse papel.</p>

<p>Na década de 90, a Guerra Fria deu lugar ao otimismo. Para muitos, ela seria seguida de um novo século marcado pela supremacia de um modelo político-econômico específico: a democracia liberal. O dinheiro seguiria livremente pelas amplas estradas do capitalismo financeiro, promovendo competição e prosperidade, enquanto as elites políticas seriam compostas por meio do voto popular. O movimento de estudantes por reformas democráticas em 1989, em Pequim, sufocado com o que ficou conhecido como o massacre da Praça da Paz Celestial, reforçou a equivocada impressão de que liberalismo econômico e democracia seriam as regras em uma era que chegou a ser chamada pelo americano Francis Fukuyama de "fim da história". É verdade que os valores democráticos ganharam força recentemente, com as seguidas rebeliões no mundo árabe. Mas poucos vislumbram grandes mudanças políticas na ditadura chinesa num futuro próximo. Ou na Rússia, que adotou uma versão de democracia no mínimo peculiar, construída em torno do homem-forte e hoje primeiro-ministro do país, Vladimir Putin. Sobre o liberalismo econômico, sua versão fundamentalista, que reinou por 30 anos, desmoronou em 2008. A ideia do Estado como importante ator econômico ganhou força, e o fato de que a China manda cada vez mais nos rumos da economia global é um atestado de quão precipitada era a previsão de que a iniciativa privada dominaria o planeta. O capitalismo chinês, afinal, segue marcado por grandes empresas estatais e a autoridade do Partido Comunista.</p>

<p>Como muitos dos dividendos esperados pelo Ocidente, após o fim a longa guerra contra os soviéticos, não se confirmaram, é possível argumentar que a avassaladora vitória liberal foi temporária. Vinte anos depois do colapso soviético, a China parece ter mais condições de cantar vitória em um conflito no qual era apenas coadjuvante. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/04/110406_chinasuperabre.shtml">Como mostram as reportagens de Silvia Salek publicadas aqui na BBC Brasil</a>, os chineses, queiram ou não, já se preparam para ocupar um posto de liderança internacional ao lado dos Estados Unidos, ameaçando, inclusive, a hegemonia americana em muitas áreas. O Brasil, cujos poder e influência também aumentaram significativamente nos úlitmos anos, sabe que os chineses são hoje praticamente tão importantes quanto os americanos nas relações internacionais. Dilma Rousseff recebeu Barack Obama recentemente e estará na China para a reunião dos BRICs. Após poucos meses no Planalto, a presidente já terá dialogado diretamente com as duas maiores forças do mundo atual: aquela que riu sozinha por muitos anos e a que pode acabar rindo melhor.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Bombas e dilemas sobre a Líbia</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/03/bombas_e_dilemas_sobre_a_libia.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.286819</id>


    <published>2011-03-20T14:53:47Z</published>
    <updated>2011-04-04T09:11:23Z</updated>


    <summary type="html">A aprovação da resolução 1973 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, impondo uma zona de exclusão aérea sobre o território líbio, é fruto da história recente. A comunidade internacional foi acusada, nos anos 1990, de inação diante de graves...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="libiablog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/libiablog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />A aprovação da resolução 1973 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, impondo uma zona de exclusão aérea sobre o território líbio, é fruto da história recente. A comunidade internacional foi acusada, nos anos 1990, de inação diante de graves crises, o que levou à morte e expulsão de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, superpotências agindo isoladamente foram condenadas pelo exagero e despreparo de suas intervenções militares, em grande medida determinadas por interesses políticos e econômicos. Diante de falhas resultantes desses dois caminhos, quando afinal é necessário e recomendável agir?</p>

<p>A criação da ONU, nos anos 1940, não conseguiu resolver dilemas envolvendo os interesses de Estados e indivíduos. A Carta da organização, em seu primeiro artigo, garante o respeito ao "princípio de direitos iguais e autodeterminação dos povos". Já o segundo fala na "igualdade de soberania entre todos os seus membros" e diz que todo país signatário da Carta deve evitar "o uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado". Tudo muito bonito, mas o problema começa quando notamos que "povos" e "Estados" não são a mesma coisa. Há muitos povos convivendo dentro de Estados ou espalhados além de fronteiras. O que fazer quando o desejo de um povo é conflitante com os interesses do país que ele habita? O final do Artigo 2 complica ainda mais o estabelecimento de direitos e deveres, ao dizer que "nada contido nesta presente Carta pode autorizar as Nações Unidas a intervir em assuntos que estão essencialmente dentro da jurisdição de qualquer Estado". Como então garantir ao mesmo tempo os direitos de povos e indivíduos e a integridade política e territorial de um Estado?</p>

<p>A década de 1990 foi marcada por conflitos armados que não envolviam apenas a luta pelo poder, mas a subjugação física e moral de comunidades e indivíduos. Na Argélia, na ex-Iugoslávia ou em Ruanda, foram os cidadãos comuns, incluindo mulheres e crianças, que mais sofreram. Depois do genocídio de quase 1 milhão de tutsis e hutus moderados, em Ruanda, e dos relatos de violência sexual em massa e ataques a civis na Bósnia-Herzegovina, a comunidade internacional foi inundada de criticas. Os mecanismos estabelecidos pela ONU até então não estavam sendo suficientes para proteger populações civis. Tal situação levou ao desenvolvimento de uma nova doutrina. Sem poder legal, a <a href="http://www.responsibilitytoprotect.org/index.php?option=com_content&view=article&id=398">Responsabilidade de Proteger </a>é um conjunto de princípios desenvolvido nos últimos anos e adotado oficialmente pelas Nações Unidas no final da década passada. Segundo eles, a soberania nacional implica deveres, especialmente o de garantir a segurança da sua população. O secretário-geral da ONU, Bank Ki-Moon, associou o novo raciocínio à crise na Líbia <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/world-middle-east-12561784">ao dizer que o regime de Muamar Khadafi não podia fugir da responsabilidade de proteger sua população</a>. Seu discurso transformou-se em ação com a aprovação da resolução 1973, da qual países como Brasil, Alemanha, China e Índia se abstiveram, mostrando que o caminho adotado está longe de ser uma unanimidade.</p>

<p>A ideia da nova doutrina internacional foi prevenir a ocorrência de genocídios e garantir os mais básicos direitos humanos, mas sua implementação é ainda difícil e polêmica. O mesmo Conselho de Segurança que pressiona Khadafi não se pronunciou contra os militares de Mianmar, por causa dos interesses da China, as inúmeras ações russas na Chechênia, por razões óbvias, ou atos de repressão realizados por aliados de Washington, como<a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/4550845.stm"> o Uzbequistão</a>. Os membros permanentes do Conselho de Segurança sempre olharão de forma seletiva para crises mundo afora, o que contraria o caráter universalista da Carta das Nações Unidas. Minorias na Rússia, na China ou mesmo na Arábia Saudita, além das vítimas de abusos de tropas americanas no Iraque ou no Afeganistão, têm muito pouca, ou quase nenhuma, chance de receber apoio internacional. Além disso, os governos terão de avaliar as possíveis consequências da possível adoção de uma ação militar. No caso do Iraque, a intervenção, realizada sem autorização explícita da ONU, e a consequente ocupação americana foram um desastre. Em Kosovo, os ataques da Otan, também sem aval das Nações Unidas, levaram à divisão territorial da Sérvia. O que acontecerá com a Líbia? Mesmo que os ataques ocidentais consigam proteger a população do leste do país, qual será o resultado a médio e longo prazos? Se Khadafi for derrubado, poderá o país ser pacificado ou sofrerá o mesmo destino da Iugoslávia, que não resistiu às diferenças internas? Isso será bom ou ruim para a região? Poderão grupos radicais, como a Al-Qaeda, que atua não muito longe dali, se aproveitar do agravamento do conflito? Além de bombas, há inúmeros dilemas no caminho da Líbia.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Fraude e consumismo</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/02/entre_a_fraude_e_o_consumismo.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.285427</id>


    <published>2011-02-28T12:18:10Z</published>
    <updated>2011-03-16T18:59:19Z</updated>


    <summary type="html">Na festa de entrega do Oscar, não deu para o pessoal do Jardim Gramacho. O belíssimo Lixo Extraordinário acabou perdendo a estatueta de melhor documentário para Trabalho Interno, um poderoso e detalhado relato da crise financeira que afetou os mercados...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
        <category term="editores" label="editores" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="wallstreetblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/wallstreetblog.jpg" width="226" height="282" class="mt-image-none" style="" />Na festa de entrega do Oscar, não deu para o pessoal do Jardim Gramacho. O belíssimo <em>Lixo Extraordinário</em> acabou perdendo a estatueta de melhor documentário para <em>Trabalho Interno</em>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=FzrBurlJUNk">um poderoso e detalhado relato da crise financeira</a> que afetou os mercados internacionais em 2008. Mas o fato de a história de Tião, Zumbi e cia ter sido selecionada para o maior palco do cinema mundial já foi um grande feito. Especialmente considerando que o vencedor é também um fantástico retrato do nosso tempo e deveria ser visto por qualquer um interessado em entender as dinâmicas do capitalismo atual. Com uma coleção de reveladores depoimentos, apesar de muitos personagens centrais da história terem se recusado a dar entrevistas, <em>Trabalho Interno</em> tenta responder a uma pergunta essencial: por quê? Por que os Estados Unidos chegaram à desastrosa situação financeira de 2008/2009? Por que a mais rica nação do planeta se tornou refém da ciranda financeira de um capitalismo de grandes remunerações, mas altíssimo risco?</p>

<p>O filme inicia sua narrativa bem longe de Wall Street, na Islândia, mostrando como um pequeno país europeu, com pouco mais de 300 mil habitantes e uma alta qualidade de vida, deixou-se iludir pelas promessas de ganhos fáceis da ciranda financeira. No início da década passada, o país desregulamentou seu setor financeiro, abrindo as portas para o capital estrangeiro e permitindo que a ilha vulcânica entrasse em ebulição. A erupção econômica veio no final de 2008, quando, diante da quebra de grandes instituições financeiras nos Estados Unidos e a paralisação do crédito mundo afora, o país não conseguiu pagar suas dívidas. A Islândia, cujos bancos tinham débitos muito maiores do que todo o PIB nacional, viu sua economia despencar cerca de 7% em 2009. O desemprego disparou para 9%, e a ilha precisou pedir um empréstimo de US$ 2 bilhões ao Fundo Monetário Internacional. <em>Trabalho Interno</em> relembra esses fatos, mas lhes dá uma diferente perspectiva, ao mostrar como instituições islandesas foram, gradativamente, sendo cooptadas pelos bancos de investimento. Até mesmo aqueles que deveriam controlar a insanidade de muitas das suas transações bancárias acabavam trabalhando para esse poderoso mundo corporativo.</p>

<p>Ao falar dos Estados Unidos, o documentário expõe as mesmas relações suspeitas, que aconteceram numa proporção muito maior e por muito mais tempo. Mostra como, desde a época do presidente Ronald Reagan, as operações do mercado financeiro foram sendo gradativamente flexibilizadas até o ponto de ninguém mais saber quem cuidava do dinheiro de quem. O auge da ciranda veio no início deste milênio, com o aumento das operações em derivativos. O documentário também expõe a forma como o poder político americano, que deveria supervisionar e limitar a expansão do financeiro, foi pouco a pouco dominado pelos bancos. Seus dirigentes, como o ex-chefe do Goldman Sachs Henry Paulson, que viria a ser o secretário do Tesouro no auge da crise, foram ganhando mais e mais espaço dentro das instituições americanas. O limite entre o que era mercado e o que era Estado ficou difícil de precisar.</p>

<p>A parte mais fascinante de <em>Trabalho Interno</em>, entretanto, diz respeito à academia. O documentário revela como as grandes universidades americanas também foram cooptadas pelo mercado, com respeitados professores produzindo estudos dizendo que uma área ia muito bem, enquanto era remunerado por esse mesmo setor. Foi o caso da própria Islândia, sobre a qual um acadêmico, Frederic Mishkin, da Universidade de Columbia, escreveu que sua economia estava forte e era um exemplo para o mundo, pouco tempo antes de desmoronar. O filme revela que o trabalho havia sido financiado pelas autoridades islandesas, algo que o professor tentou depois <a href="http://blogs.ft.com/economistsforum/2010/10/the-economists-reply-to-the-inside-job/">explicar em um artigo publicado no diário britânico <em>Financial Times</em></a>. O diretor do filme, Charles Ferguson, <a href="http://blogs.ft.com/economistsforum/2010/10/the-director-of-inside-job-replies/">rebateu em seguida</a> no mesmo jornal.</p>

<p>A força do documentário é inegável, mas a principal pergunta que ele se propõe a responder, por que afinal a crise ocorreu, fica parcialmente sem resposta. A história narrada pelo ator Matt Damon apresenta a realidade dos últimos 30 anos como se Wall Street tivesse cinicamente sequestrado o poder público e, com ele, o futuro da nação. Há fortes argumentos que sustentam a tese, mas é difícil acreditar que o americano médio tenha sido apenas uma vítima involuntária, facilmente enganada por um grande esquema criminoso. Afinal, não se pode negar que a reinvenção do capitalismo americano na entrada dos anos 80 serviu aos anseios consumistas da mais rica nação do planeta. A elite política que gerenciou o sistema a partir dos dois grandes partidos americanos (Democrata e Republicano) foi seguidamente e democraticamente eleita, enquanto os bilionários do mercado eram venerados pela nação como exemplos de sucesso. A mesma sociedade que ainda sofre com os efeitos da crise abraçou por 30 anos o consumismo desenfreado, estimulado por importações asiáticas baratas e focado na ilusão da casa própria acessível a todos. O ímpeto de gastar sem se preocupar com o amanhã espalhou dívidas pela sociedade que com o tempo saíram do controle. Bancos e governo, com aval acadêmico, criaram uma fantasia econômica que quase destruiu a economia americana, é verdade. Mas para isso contaram com a ajuda da febre do consumo, da ânsia pela riqueza sem limites e da ilusão de que dinheiro poderia cair do céu.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Os amigos de Khadafi</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/02/os_amigos_de_khadafi.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.285146</id>


    <published>2011-02-23T17:22:20Z</published>
    <updated>2011-02-25T11:05:45Z</updated>


    <summary type="html">O líder líbio, Muamar Khadafi, sempre pareceu invencível e incontestável em seu país natal. Mesmo quando o espírito revolucionário tomou conta da Tunísia, a possibilidade de que o regime na vizinha Líbia também seria ameaçado era relativamente remota. Mas o...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
        <category term="editores" label="editores" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="blairgaddafiblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/blairgaddafiblog.jpg" width="304" height="171" class="mt-image-none" style="" />O líder líbio, Muamar Khadafi, sempre pareceu invencível e incontestável em seu país natal. Mesmo quando o espírito revolucionário tomou conta da Tunísia, a possibilidade de que o regime na vizinha Líbia também seria ameaçado era relativamente remota. Mas o impressionante levante no Egito, que derrubou o antes todo-poderoso Hosni Mubarak, mostrou que todas as alternativas estavam na mesa no mundo árabe. Inclusive a queda de Khadafi.</p>

<p>Entretanto, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110221_perfil_khadafi_cc.shtml">o coronel que se instalou no poder em 1969</a>, por meio de um golpe de Estado, é um sobrevivente. Com mais de 40 anos na chefia de sua nação, Khadafi já foi considerado um pária na comunidade internacional, por causa de seu apoio a ações terroristas, mas também teve muitos e importantes amigos, dos mais diversos. Nos anos 70 e 80, o seu regime, que se considerava revolucionário, fez alianças com outros grupos que lutavam contra forças vistas como opressoras ou imperialistas. Um deles foi o IRA (Exército Republicano Irlandês), que foi armado pelas forças de Khadafi, melhorando com isso sua capacidade de atacar alvos britânicos dentro e fora da problemática província. Martin McGuiness, figura central na resistência republicana e atual ministro do governo local da Irlanda do Norte, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/uk-northern-ireland-12539372">condenou nesta semana as ações do regime líbio contra protestos no país</a>. Mas disse não se envergonhar das ligações passadas entre seu movimento e Muamar Khadafi. A mesma postura sempre tomou o respeitado ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que pouco depois de sair da prisão visitou a Líbia e falou publicamente da gratidão que o seu movimento contra o apartheid tinha com Khadafi. Sempre chamando o líder líbio de "irmão", <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/africa/368124.stm">Mandela o recebeu na África do Sul em 1999</a>, quando reafirmou sua amizade com o famoso ditador.</p>

<p>Nos últimos anos, mais precisamente depois da invasão do Iraque em 2003, o líder líbio passou a atrair novos e surpreendentes amigos. Estados Unidos e Grã-Bretanha se aproximaram do coronel, que resolveu renunciar a qualquer programa de armas de destruição em massa. Os governos de George W. Bush e Tony Blair decidiram celebrar publicamente a nova amizade. <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/3566545.stm">Blair apertou a mão de Khadafi em solo líbio em 2004</a> e até muito recentemente apresentava a aproximação de Londres com a Líbia como uma consequência positiva da invasão do Iraque. O mesmo pensava o governo Bush: <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/7599199.stm">a visita da então secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, a Trípoli</a>, em 2008, foi descrita por Washington como "histórica". É verdade que Rice anunciou como nova política dos Estados Unidos para o mundo árabe a promoção da democracia, dizendo que o patrocínio de ditaduras locais não havia levado estabilidade à região. Mas o discurso não levou a boicotes ou pressões mais duras por abertura nos regimes mais autoritários, como o de Muamar Khadafi, pelo contrário.</p>

<p>No caso britânico, Londres aumentou significativamente sua relação comercial com Trípoli, e a decisão da Justiça escocesa de libertar o único condenado pelo atentado contra o avião da Pan Am em 1988 irritou até os americanos. O sinal enviado pelas potências ocidentais foi de que o regime autocrático de Khadafi não era um problema. Contanto que ele estivesse disposto a colaborar politicamente no cenário internacional, seu regime não seria combatido, até porque os líbios são exportadores de petróleo. O estabelecimento de um regime democrático nunca esteve na pauta dos amigos de Khadafi, fossem eles o IRA, Mandela, Blair ou outros ditadores árabes. O coronel era para alguns um companheiro revolucionário e para outros um aliado de conveniência. Para o povo líbio, no entanto, Khadafi tem sido, há 42 anos, a única versão de governo disponível, uma autoridade onipotente em uma nação de relações tribais, sem partidos políticos. As circunstâncias da rebelião contra o regime são diferentes das vistas na Tunísia e no Egito, mas o motivo central não muda: o cansaço de ser governado pela mesma pessoa por tanto tempo.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Dilma, sucesso de crítica</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/02/dilma_sucesso_de_critica.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.284081</id>


    <published>2011-02-18T10:44:27Z</published>
    <updated>2011-02-18T16:56:07Z</updated>


    <summary type="html">Os elogios pipocam por todos os lados. A candidata que muitos consideravam uma espécie de fantoche do ultrapopular Luiz Inácio Lula da Silva é hoje descrita como uma presidente de personalidade própria, equilibrada e pragmática. A imagem adquirida por Dilma...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="dilmablog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/dilmablog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />Os elogios pipocam por todos os lados. A candidata que muitos consideravam uma espécie de fantoche do ultrapopular Luiz Inácio Lula da Silva é hoje descrita como uma presidente de personalidade própria, equilibrada e pragmática. A imagem adquirida por Dilma Rousseff junto a analistas, jornalistas e políticos é de uma chefe de governo capaz de rejeitar posições do seu próprio mentor e resistir ao fisiologismo de membros do Congresso.</p>

<p>Uma das medidas do governo que mais conquistaram admiradores foi o <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110209_blog_orc_pai.shtml">corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União</a>, anunciado pelo ministro Guido Mantega. A revista britânica <em>The Economist</em>, que defendeu a eleição do tucano José Serra, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110218_economist_dilma_pai.shtml">elogiou o maior compromisso do governo até agora com a austeridade fiscal</a>, em contraste à herança deixada por Lula. Na mesma linha, o respeitado <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110204_editorial_dilma_financial_times_rw.shtml">diário <em>Financial Times</em> escolheu o adjetivo "sólido"</a> para descrever o início de governo da primeira mulher presidente do Brasil. O jornal, que também havia declarado preferência por Serra na fase final da campanha, elogiou o fato de a petista ter sinalizado uma posição diferente da do governo Lula em relação a violações de direitos humanos no Irã. As diferenças entre criador e criatura também foram observadas pelo espanhol <em>El País</em>, que <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110210_dilma_lula_eua_elpais_rw.shtml">destacou uma suposta preferência de Dilma pelos caças americanos da Boeing para a Força Aérea Brasileira</a>, em vez do francês Rafale, defendido pelo antecessor. Em apenas 45 dias no Planalto, Dilma Rousseff é um sucesso de crítica.</p>

<p>A boa impressão não tem se limitado à imprensa e analistas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que as primeiras semanas da petista como chefe da nação <a href="http://www.businessweek.com/news/2011-02-10/rousseff-s-realism-positive-surprise-for-brazil-cardoso-says.html">foram uma "surpresa positiva". </a>Trata-se de um reconhecimento importante de um dos maiores nomes da oposição e adversário de Lula na histórica, e às vezes cansativa, disputa sobre quem fez mais pelo Brasil. Mas quem importa para a presidente Dilma são os políticos em atividade, especialmente aqueles que, no papel, pertencem à sua base de apoio. Em sua primeira batalha na Câmara dos Deputados, por um aumento do salário mínimo mais modesto do que queriam centrais sindicais e a oposição, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110216_minimo_votacao_rp.shtml">Dilma venceu com uma margem de mais de 200 votos</a>. Além de reafirmar seu atual controle sobre sua base, expôs as fraquezas da oposição, formada por partidos que costumavam defender a austeridade, mas tentaram abraçar uma bandeira oposta devido a seus objetivos políticos.</p>

<p>Um admirado início de governo, no entanto, está longe de representar a certeza de sucesso. Uma lua-de-mel seguida de períodos desastrosos é tão comum na carreira de governantes como na vida de casais antes apaixonados. A primeira preocupação de Dilma Rousseff é com os problemas que estão à sua frente, que incluem o avanço da inflação, o enfraquecimento de parcela da indústria devido ao real fortalecido e o estado lamentável da infraestrutura nacional. Como se não bastasse a necessidade de oferecer estradas, portos, aeroportos e energia elétrica apenas para administrar as necessidades básicas de uma economia em crescimento, o Brasil ainda tem de organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada nos próximos cinco anos. E não poderá sair gastando como se não houvesse amanhã, o que nos leva à segunda grande preocupação da presidente. Além de tomar medidas equilibradas e sensatas para proteger a economia, ela precisa também ser adorada pelos eleitores, mesmo adotando políticas supostamente impopulares. Só assim conquistará nas urnas um segundo mandato. Já respeitada pela crítica, Dilma Rousseff terá de mostrar se consegue ser também um sucesso de público.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Uma revolução puramente egípcia</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/02/o_egito_visto_de_fora.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.283599</id>


    <published>2011-02-11T12:30:36Z</published>
    <updated>2011-02-15T12:07:05Z</updated>


    <summary type="html">O presidente Hosni Mubarak renunciou. O líder de um dos mais autoritários regimes do Oriente Médio não sobreviveu aos 18 dias de protestos nas ruas do Egito, que atraíram milhões de pessoas. O movimento não contou com líderes claros ou...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="egitoblognovo.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/egitoblognovo.jpg" width="226" height="283" class="mt-image-none" style="" />O presidente Hosni Mubarak renunciou. O líder de um dos mais autoritários regimes do Oriente Médio <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110211_mubarak_renuncia_rc.shtml">não sobreviveu aos 18 dias de protestos nas ruas do Egito</a>, que atraíram milhões de pessoas. O movimento não contou com líderes claros ou tendências políticas definidas. Reuniu muçulmanos, cristãos e diferentes ideologias. A banida Irmandade Muçulmana reforçou o coro da população insatisfeita, e o ex-chefe da agência da ONU para energia atômica Mohamed Elbaradei chegou a apresentar-se como um possível líder das massas. Mas o movimento não queria bandeiras ou representantes específicos. Seu objetivo era simples: derrubar o regime, pôr um fim no modelo político baseado na repressão de vozes populares. Sua reivindicação principal era a saída do líder da ditadura, e o que parecia impossível foi obtido diante dos olhares do mundo todo.</p>

<p>Hosni Mubarak, um ex-comandante da Força Aérea do Egito que acabou chefiando o país por três décadas, não escolheu exatamente a carreira de ditador. Quando, em uma de suas falas recentes, lembrou que nunca quis o cargo que ocupava, Mubarak não estava exatamente mentindo. O que o levou ao posto foi o assassinato de Anwar Sadat por radicais islâmicos, fato que deixou a Presidência no colo de Mubarak. Sua obrigação, em um momento extremamente delicado para o país, era preservar um regime que já existia desde os anos 50. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110210_perfil_mubarak_atualizado_cc.shtml">Ao longo de 30 anos, entretanto, a figura de Mubarak ganhou força</a>, e seu plano de passar o poder para seu filho indicava uma característica mais personalista da ditadura. Mubarak, que se utilizou de uma brutal polícia repressora e, segundo denúncias, possui uma fortuna bilionária no exterior, foi assumindo com o passar do tempo todas as credenciais de um típico déspota.</p>

<p>Em seus últimos pronunciamentos, Mubarak apresentou-se como um patriota. Lembrando seu passado de militar, defensor da integridade política e territorial do Egito, inclusive durante a ocupação israelense da Península do Sinai, ele disse ser um servo da pátria. O que os milhões de manifestantes nas ruas do país lhe respondiam, entretanto, era que a pátria não precisava mais de seus serviços. O tempo havia mudado, as necessidades eram outras, e o Egito entrara numa nova fase da sua história. O próprio Exército, enviado inicialmente para conter os protestos, foi forçado a admitir a legitimidade de suas reivindicações. A população disse continuar admirando seus militares, que tanto fizeram pelo país no passado, mas deixou claro que um novo regime deveria nascer das manifestações de rua.</p>

<p>O futuro do Egito ainda está para ser definido, e entre os espectadores mais atentos estão três governos com passados e agendas políticas muito diferentes. Estados Unidos, Israel e Irã gozavam de um certo conforto com o regime de Mubarak. Com ele Israel estabeleceu uma paz essencial para a segurança de grande parte do seu território. Washington tinha em Mubarak o maior aliado no mundo árabe, que ao mesmo tempo controlava o avanço fundamentalista e garantia estabilidade a Israel. Já o Irã, adversário de nações sunitas como o Egito, compartilhava com Mubarak a crença de que a democracia plena não era uma alternativa viável para a região. Agora os três países precisam, por motivos diferentes, adaptar-se à nova realidade.</p>

<p>O regime islâmico do Irã, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110211_ahmadinejad_discurso_egito_cc.shtml">apesar de ver com bons olhos o possível avanço no Egito de ideologias contrárias ao Ocidente</a>, vai combater a ideia de que a voz do povo merece ser sempre ouvida. Por isso mesmo, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/02/110211_egito_bbc_tv_fn.shtml">promoveu a interrupção dos sinais do canal persa da BBC</a>, que vinha fazendo cobertura extensiva dos acontecimentos no Cairo. Os Estados Unidos tentarão manter a aliança com os militares egípcios, que são o alicerce do poder no país, enquanto Israel torce para que o possível estabelecimento da democracia não permita avançar no vizinho um sentimento hostil ao Estado judeu. O que os recentes acontecimentos no Cairo mostram, no entanto, é que as potências estrangeiras terão de acatar a vontade dos egípcios e de suas instituições. Apesar de instigado pelos acontecimentos da Tunísia, que semanas antes derrubou o seu próprio ditador, o movimento iniciado em 25 de janeiro, com a ajuda da internet e suas redes sociais, foi uma revolução puramente egípcia. Uma nova geração de cidadãos foi às ruas pela derrubada de um regime que deixara de atender às suas aspirações, sem copiar ninguém ou atender ao chamado de algum líder. Qualquer que seja o caminho a ser tomado pelo Egito, ele parece estar sendo traçado de forma espontânea e independente.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Egito, Irã e as revoluções</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/02/ira_egito_e_as_revolucoes.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.282849</id>


    <published>2011-02-02T14:10:45Z</published>
    <updated>2011-02-24T15:34:14Z</updated>


    <summary type="html">Os acontecimentos no Egito, onde confrontos entre seguidores e críticos de Hosni Mubarak ainda podem causar um banho de sangue, adquiriram uma velocidade impressionante. Digna de uma revolução. E, como em toda revolução, é possível saber como ela começou, mas...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
        <category term="editores" label="editores" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="egitotanqueblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/egitotanqueblog.jpg" width="304" height="171" class="mt-image-none" style="" />Os acontecimentos no Egito, onde confrontos entre seguidores e críticos de Hosni Mubarak ainda podem causar um banho de sangue, adquiriram uma velocidade impressionante. Digna de uma revolução. E, como em toda revolução, é possível saber como ela começou, mas nunca como acabará. As forças liberadas por um processo revolucionário, como o francês, no final do século 18, ou o russo, no início do século 20, são explosivas e duradouras, podendo mostrar seu verdadeiro impacto apenas muitos anos depois. Guerras civis, mortes e a adoção de regimes autoritários estão entre as várias nocivas consequências de movimentos que, no início, pretendiam ser um caminho para a democracia. Uma revolução é geralmente uma viagem acelerada e tortuosa em meio à escuridão.</p>

<p>Muitos consideram os atentados de 11 de Setembro ou a queda do Muro de Berlim os mais importantes fatos internacionais desde a Segunda Guerra Mundial. Outros, no entanto, apontam para um acontecimento transformador cujos efeitos se fazem sentir até hoje no cenário político global. A Revolução Iraniana, de 1979, mudou o paradigma de governo no Oriente Médio, abriu um novo espaço na vida pública para a religião e modificou os cálculos políticos das grandes potências. O regime iraniano é tão orgulhoso de sua revolução que apressou-se em dizer, dias atrás, que o movimento político no Egito era inspirado nos fatos de 1979 em Teerã. De certa maneira, é possível entender tal argumento, mas há muitas diferenças entre os dois movimentos. A revolução egípcia pode não ter o mesmo caráter transformador e inédito do levante que derrubou o xá Reza Pahlevi, mas é capaz de mais repercussões imediatas na região.</p>

<p>Diferentemente do movimento egípcio, a revolução do Irã tinha uma figura central, idolatrada por grande parte da população. O aiatolá Khomeini já era um ponto de referência para a oposição iraniana havia mais de dez anos enquanto estava baseado na cidade iraquiana de Najaf. Khomeini deu ao movimento que derrubou o xá um forte caráter religioso, apesar de na oposição haver várias outras tendências políticas, inclusive liberais e comunistas. O resultado foi a adoção de um regime islâmico e xiita, algo que o mundo ainda não havia presenciado. No Egito, apesar da significativa penetração da Irmandade Muçulmana, grupo político islâmico proibido por Mubarak, não existe uma figura central e inspiradora que conduza a ação dos manifestantes. Tal vácuo na liderança pode poupar os egípcios do caminho religioso adotado em Teerã, mas põe mais pontos de interrogação em um movimento difuso e sem clara direção.</p>

<p>A Revolução Iraniana também teve um resultado político regional relativamente modesto, apesar de em certa medida ter mesmo mudado o mundo. Cercada de inimigos por todos os lados, especialmente os árabes sunitas, muitos no Ocidente acreditavam que o levante de Khomeini fosse vulnerável demais para sobreviver. Estados Unidos e seus aliados incentivaram então seu amigo Saddam Hussein a tentar sufocá-lo por meio de uma guerra, um ano depois da queda do xá. Oito anos de combates deixaram 1 milhões de mortos, mas o grande aiatolá e sua República Islâmica do Irã sobreviveram. O novo regime inspirou e armou movimentos militares além das suas fronteiras, particularmente o libanês Hezbollah, mas não se expandiu, nem provocou a queda de outros aliados dos americanos na região.</p>

<p>Tal efeito pode, entretanto, ser provocado pela revolução egípcia. Apesar de já termos visto a queda de um ditador neste ano, na Tunísia, o Egito é a maior nação árabe, e a queda de Mubarak pode ter um efeito dominó por toda a região. Efeito que não veio imediatamente com a Revolução Iraniana, mas que de certa forma terá suas origens nos acontecimentos de 1979 em Teerã. Símbolo do controle ocidental sobre o Oriente Médio, Reza Pahlevi teve o fim temido por líderes da Arábia Saudita, Jordânia, Egito, Argélia etc. O caráter xiita do movimento iraniano o restringiu geograficamente, mas a ideia de um levante popular no Oriente Médio continuou na mente de muitos na região, tanto os que o esperam como os que o temem. Os revolucionários egípcios podem agora provocar um efeito reformador que leve democracia a povos calados por ditaduras, o que faltou ao movimento do Irã. Mas nada é garantido em uma revolução. As cenas de violência no centro do Cairo indicam que até mesmo uma nova guerra civil pode surgir, em meio ao tortuoso e incerto caminho revolucionário.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>A temida voz dos árabes</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/01/a_voz_dos_arabes.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.282538</id>


    <published>2011-01-28T13:31:58Z</published>
    <updated>2011-01-29T10:25:36Z</updated>


    <summary type="html">Os ventos revolucionários da Tunísia chegaram ao Egito. Depois da derrubada do regime do tunisiano Zine Al-Abidine Ben Al, que desfrutou de poder quase absoluto por 23 anos, a fúria das chamadas &quot;ruas árabes&quot; se dirige agora contra o líder...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
        <category term="editores" label="editores" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="egitoblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/egitoblog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />Os ventos revolucionários da Tunísia chegaram ao Egito. Depois da derrubada do regime do tunisiano Zine Al-Abidine Ben Al, que desfrutou de poder quase absoluto por 23 anos, a fúria das chamadas "ruas árabes" se dirige agora contra o líder egípcio. No controle da terra dos faraós há 29 anos, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110128_egito_sexta_nova_ji.shtml">Hosni Mubarak é o alvo da revolta e desejo de mudança da população local</a>. As cenas de caos em vários pontos do país, especialmente no Cairo, sugerem uma nação transformada. De forma espontânea, sem necessariamente ligação com grupo político algum, cidadãos das mais diferentes tendências e ideologias tomaram as ruas para dizer "basta" a um regime autoritário. Mas, ao contrário dos protestos que derrubaram o comunismo na Europa na virada da década de 80 para a de 90, no exterior os movimentos populares árabes geram tanto otimismo quanto preocupação.</p>

<p>O regime de Mubarak é um dos principais aliados dos Estados Unidos no mundo árabe. Recebe de Washington quase US$ 2 bilhões anuais em ajuda econômica e militar, ficando atrás apenas de Israel. Nos últimos anos os Estados Unidos vêm dizendo que essa ajuda precisa ser acompanhada de abertura política e econômica, mas Mubarak nunca sinalizou intenção de mudar as regras do jogo. Pelo contrário: aos 82 anos, o líder egípcio vinha indicando sua intenção de passar o poder para seu filho, Gamal, repetindo o ritual dinástico de nações como Síria ou Jordânia.</p>

<p>Os Estados Unidos nunca condenaram abertamente o modelo político do Egito nem os planos de Mubarak para o país, e o presidente Barack Obama tem sido cauteloso ao defender o direito da população de se manifestar. Obama e seus antecessores nunca esqueceram as circunstâncias em que Mubarak chegou ao poder, em 1981. Ele ocupava a vice-Presidência quando o presidente, Anwar Sadat, que dois anos antes havia assinado o histórico e polêmico acordo de paz com Israel, foi assassinado. Fundamentalistas usaram granadas e metralhadoras contra o presidente e convidados durante uma parada militar. Outras 11 pessoas morreram, e o próprio Mubarak foi ferido. Já na Presidência, Mubarak enfrentou um ressurgimento das ações de fundamentalistas, especialmente nos anos 90, quando um grande atentado em Luxor deixou mais de 50 turistas estrangeiros mortos. A resposta de Mubarak foi um regime cada vez mais fechado, sem direito a dissidências ou manifestações, comandado por truculentas forças de segurança sobre as quais sempre houve a suspeita do uso sistemático da tortura.</p>

<p>A receita sempre foi tolerada por Washington, que teme as consequências para a região da derrubada de regimes autoritários, mas aliados ao Ocidente. Exemplos passados aumentam tal preocupação. Em 1991, as eleições na Argélia foram vencidas no primeiro turno pelo partido islamista, a Frente Islâmica de Salvação, o que levou as autoridades a cancelar a segunda votação. O Exército assumiu o poder, o que levou a uma guerra civil marcada por massacres de civis e um saldo de 200 mil mortos. As eleições palestinas de 2006 resultaram na vitória do Hamas e a consequente divisão política da Palestina, com a Faixa de Gaza nas mãos do grupo religioso e a Cisjordânia sob controle da Autoridade Nacional Palestina. No próprio Iraque, onde uma tentativa de democracia foi imposta militarmente pelos Estados Unidos, a situação interna segue muito mais instável e violenta do que nos tempos de Saddam Hussein.</p>

<p>Com os recentes aumentos de preços dos alimentos, que impôs dificuldades extras a populações já sofrendo com a estagnação econômica, tornou-se ainda mais difícil para regimes autoritários árabes controlarem seus cidadãos. Depois de Tunísia e Egito, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110127_iemen_protestos_fn.shtml">protestos foram registrados também no Iêmen</a>. Somada a décadas de frustração e repressão, uma realidade de desemprego e inflação solapa as estruturas do tradicional modelo político local. Estados Unidos, Israel e líderes de outras autocracias locais acompanham os acontecimentos no Cairo com apreensão. Mas sabem que barrar os ventos de mudança é missão quase impossível, e a única opção parece ser ajustar a direção para a qual eles sopram. Isso se não estivermos diante de um verdadeiro furacão.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Espionagem jornalística</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/01/espionagem_jornalistica.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.281948</id>


    <published>2011-01-21T11:42:36Z</published>
    <updated>2011-01-24T15:15:52Z</updated>


    <summary type="html">A renúncia de um assessor do primeiro-ministro britânico não deveria despertar muito interesse fora do país. No entanto, a queda de Andy Coulson, agora ex-diretor de Comunicação do governo, tem implicações muito além da política. Os limites da imprensa, o...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
        <category term="editores" label="editores" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="coulsonblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/coulsonblog.jpg" width="304" height="171" class="mt-image-none" style="" />A renúncia de um assessor do primeiro-ministro britânico não deveria despertar muito interesse fora do país. No entanto, a <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110121_coulson_renuncia_pu.shtml">queda de Andy Coulson</a>, agora ex-diretor de Comunicação do governo, tem implicações muito além da política. Os limites da imprensa, o direito a privacidade das celebridades, o poder do maior conglomerado de mídia do mundo, as relações entre governo e magnatas das comunicações, tudo isso está ligado à ascensão e à derrocada de um dos mais próximos assessores de David Cameron.</p>

<p>O jornalista Andy Coulson tem 43 anos de idade. Fez sua carreira no mundo dos tablóides, como são conhecidos aqui na Grã-Bretanha os jornais mais sensacionalistas, opinativos e populares. Sejam de direita (<em><a href="http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/">The Sun</a></em>, <em><a href="http://www.dailymail.co.uk/home/index.html">The Daily Mail</a></em>) ou de esquerda (<em><a href="http://www.mirror.co.uk/">Daily Mirror</a></em>), os tablóides britânicos são comprados diariamente por milhões de pessoas, impulsionadas por coberturas apaixonadas de esporte e política e constante acompanhamento da vida particular de celebridades. Coulson destacou-se e subiu rapidamente no <em>The Sun</em>, do grupo News International, de propriedade do australiano Rupert Murdoch, dono de jornais e redes de TV em diversas partes do mundo. Mudou-se logo para o <em><a href="http://www.newsoftheworld.co.uk/notw/public/home/">News of the World</a></em>, tablóide do mesmo grupo que substitui o <em>Sun</em> aos domiingos. Durante os quatro anos em que Coulson esteve no comando, o jornal trouxe diversas reportagens exclusivas envolvendo a vida particular de pessoas famosas. Mas, em 2007, uma investigação policial descobriu que notícias envolvendo a família real haviam sido obtidas de forma ilícita, por meio do grampeamento de telefones de assistentes do príncipe William. O correspondente de assuntos da realeza do jornal foi preso e condenado pelo grampo. Andy Coulson renunciou ao cargo, apesar de negar ter conhecimento das atividades do repórter.</p>

<p>Apesar do revés, sua carreira teve uma guinada surpreendente: meses depois da saída forçada do <em>News of the World </em>, ele assumiu o posto de diretor de Comunicações do Partido Conservador, que na época já se preparava para voltar ao poder. Para muitos, seu passado de influência dentro do grupo de Ruper Murdoch explicou a escolha. No final do governo de Gordon Brown, Murdoch mudou de lado na política britânica. O <em>The Sun</em>, que havia apoiado o "novo trabalhismo" de Tony Blair, resolveu bancar a oposição conservadora. Coulson seria, na avaliação de analistas e dos trabalhistas, a ligação entre o Partido Conservador e os interesses de Murdoch. Com Cameron eleito primeiro-ministro em 2010, Andy Coulson tornou-se diretor de Comunicações do governo. Para infelicidade do premiê, no entanto, logo o caso da espionagem ilegal voltou a assombrar seu assessor. Em 2009, o jornal <em><a href="http://www.guardian.co.uk/">The Guardian</a></em>, de centro-esquerda e concorrente das empresas de Murdoch, publicou que o esquema de grampeamento de telefones particulares havia ido muito além da família real. Personalidades do futebol, políticos e celebridades, como a atriz Sienna Miller, também teriam sido vítimas. O caso cresceu, e no início deste ano <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/uk-12140330">um editor-assistente do <em>News of the World</em> foi suspenso</a>, depois que uma ação legal, supostamente feita por Miller, o associou aos grampos. A especulação e a pressão aumentaram até que Andy Coulson finalmente entregou seu cargo.</p>

<p>As perguntas levantadas pela saga são muitas. Até onde a imprensa, movida pela sede de novidades sobre a intimidade de pessoas famosas, admite ir para obter um novo furo? Quanto tempo e dinheiro jornalistas deveriam investir em assuntos que despertam a curiosidade do leitor, mas não são exatamente de interesse público? Até onde vai, ou deveria ir, a relação entre políticos e grupos de comunicação, cujos interesses muitas vezes passam por decisões governamentais? Andy Coulson sempre disse não ter conhecimento dos grampos praticados na redação que comandava, mas sua carreira meteórica se beneficiou da cultura de investigação da vida privada de terceiros. Tal cultura não mudará em decorrência do caso, que ainda pode ter novos capítulos na Justiça. Mas o fim talvez deixe de justificar alguns dos meios utilizados.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>Guerra e paz na política</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2011/01/guerra_e_paz_na_politica.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2011:/blogs/portuguese//48.281251</id>


    <published>2011-01-12T17:44:55Z</published>
    <updated>2011-01-13T18:26:28Z</updated>


    <summary type="html">Em 2010, brasileiros e americanos foram às urnas. Nos dois países, a coisa esquentou. O passado de candidatos, alusões a Deus, referências a temas polêmicos e de foro individual, como homossexualismo ou aborto, foram transformados em armas de campanha. Ambas...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="euapoliticablog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/euapoliticablog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />Em 2010, brasileiros e americanos foram às urnas. Nos dois países, a coisa esquentou. O passado de candidatos, alusões a Deus, referências a temas polêmicos e de foro individual, como homossexualismo ou aborto, foram transformados em armas de campanha. Ambas as disputas, pela Presidência, pelo Congresso e por Estados no Brasil e pelo Congresso e governos estaduais nos Estados Unidos, foram tratadas pelas facções políticas como batalhas decisivas. Eram casos de vida ou morte. Se o adversário vencesse, o mundo acabaria, ditaduras seriam estabelecidas, liberdades seriam confiscadas, conquistas sociais seriam interrompidas. A derrota estava fora de cogitação, e a palavra era vencer ou vencer. O clima era de tensão e confronto.</p>

<p>Brasil e Estados Unidos são democracias estabelecidas, mesmo que a brasileira tenha apenas 25 anos. Como tais, sobreviveram à abertura das urnas. Todas as disputas do ano passado nas duas maiores potências das Américas tiveram vencedores e perdedores, e a vida seguiu em frente. Uma certa paz estabeleceu-se após a guerra eleitoral. No Brasil, especificamente, uma relativa reconciliação pôde ser vista na imprensa, com veículos e articulistas antes críticos de Dilma Rousseff recebendo positivamente os primeiros pronunciamentos da nova presidente. Dilma foi elogiada por comprometer-se com a estabilidade econômica e o combate à inflação, por defender a liberdade de imprensa e por seu discurso comedido. O "estilo Dilma" chegou a ser descrito como gerencial, priorizando a eficiência e os resultados, bem diferente da figura essencialmente política que é Luiz Inácio Lula da Siliva. A relativa pacificação também pôde ser vista nas relações partidárias, com adversários aparentemente dando tempo e espaço para a nova ocupante do Planalto acostumar-se com a cadeira. O novo governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, até declarou seu apoio ao trem-bala federal, projeto várias vezes criticado por José Serra na campanha. O espírito de colaboração também parece prevalecer, pelo menos por enquanto, diante das tragédias provocadas pelas chuvas no Sudeste.</p>

<p>Os Estados Unidos têm um calendário eleitoral diferente do brasileiro. A maioria das cadeiras do Legislativo federal é renovada no meio do mandato do presidente, em uma disputa que dá o tom do que será a luta pela Casa Branca dois anos depois. Para Barack Obama, o embate com republicanos com sede de vingança foi apenas um aperitivo para o que promete ser uma sangrenta batalha em 2012. A trégua americana parece ter sido breve, e o período pós-eleitoral é também preparatório para a próxima guerra. Mas, mesmo para os que compreendem ou até mesmo apreciam o caráter apaixonado do jogo político americano, o conflito pode ter ido longe demais. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110109_eua_deputada_melhora_ac.shtml">O atentado contra a deputada democrata Gabrielle Giffords, no Arizona</a>, em que outras seis pessoas foram mortas, parece ter servido de alerta para muitos americanos sobre o perigo dos discursos políticos radicais. É verdade que a ligação entre <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110110_arizona_audiencia_jf.shtml">o detido pelo ataque, o jovem Jared Loughner</a>, e as disputas políticas nos Estados Unidos não está estabelecida. Tamanha violência, no entanto, envolvendo uma líder política em ascensão durante evento com seus eleitores, foi suficiente para iniciar uma discussão no país sobre a qualidade do seu debate político.</p>

<p>O principal alvo das críticas tem sido a ex-candidata a vice-presidente Sarah Palin. Giffords havia condenado a propaganda política de Palin que marcava com alvos de rifles os deputados democratas que ela esperava ver derrotados no ano passado. Giffords era um deles. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/world-us-canada-12174254">Sarah Palin reagiu e, em uma mensagem em vídeo</a>, condenou o que chamou de "calúnia de sangue", referindo-se a insinuações de que sua atuação teria inspirado os atos do assassino do Arizona. A mensagem de Palin sugere que a possível futura candidata a presidente esteja preocupada com as consequências da tragédia. Muitos acreditam que suas chances de ser indicada para enfrentar Obama daqui a dois anos se evaporaram. Numa tentativa de aliviar as tensões, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2011/01/110113_obama_virgina_ac.shtml">Obama pediu união e o fim das acusações partidárias</a>.</p>

<p>A política americana, que já vinha de uma década de polarização, fruto da Era Bush, ficou ainda mais radicalizada com a crise na economia. O momento nos Estados Unidos é delicado e exige que moderados assumam o controle se quiserem evitar o avanço da intransigência. Já o Brasil vive um cenário de prosperidade econômica, com boas perspectivas para o futuro, o que favorece o entendimento. Mas nada garante que a trégua dada a Dilma Rouseff seja duradoura ou que seu governo não enfrente percalços. A democracia prevê o confronto de ideias, propostas e interesses, e a unanimidade é um conceito perigoso para qualquer sociedade que almeja ser livre.  Se mantida dentro das regras da civilidade e do jogo democrático, a guerra política pode ser tão importante quanto a paz.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>O que mudou em 2010</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2010/12/o_que_mudou_em_2010.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2010:/blogs/portuguese//48.280444</id>


    <published>2010-12-27T15:55:08Z</published>
    <updated>2010-12-29T12:21:49Z</updated>


    <summary type="html">Como em todo ano, muita coisa aconteceu em 2010. O noticiário manteve-se regularmente repleto de tragédias naturais (terremoto no Haiti, enchentes no Brasil e no Paquistão etc), dificuldades econômicas (especialmente na Europa), disputas políticas (Brasil, Grã-Bretanha, Estados Unidos) ou eventos...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="obamairaqueblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/obamairaqueblog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />Como em todo ano, muita coisa aconteceu em 2010. O noticiário manteve-se regularmente repleto de tragédias naturais (terremoto no Haiti, enchentes no Brasil e no Paquistão etc), dificuldades econômicas (especialmente na Europa), disputas políticas (Brasil, Grã-Bretanha, Estados Unidos) ou eventos esportivos. Mas há notícias que vão além do fato em si, suas consequências permanecem, na forma de possibilidades para o futuro ou uma realiadade completamente nova. Nesse aspecto, 2010 nos mostrou caminhos e ajudou a mudar o futuro por meio de alguns de seus acontecimentos. Abaixo, os principais.</p>

<p><strong>Distribuição de poder no FMI.</strong> A transferência de poder, econômico e político, das potências ocidentais para nações emergentes, é um processo que ocorre há alguns anos. A transformação da China em potência capitalista, o fim do comunismo do Leste Europeu, o controle da inflação pela América Latina e a pacificação de grande parte da África deram condições para isso. A crise financeira de 2008 acelerou o processo, e a concessão de mais poderes aos emergentes dentro do Fundo Monetário Internacional, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/10/101023_g20sabadoebc.shtml">confirmada por ministros das Finanças do G20 em outubro</a>, selou a mudança. Trata-se da virada de uma página dentro da distribuição de forças no gerenciamento da economia mundial. Novas mudanças devem vir nos próximos anos, possivelmente de forma mais rápida. O poder econômico global já não é mais o mesmo.</p>

<p><strong>Acordo sobre o clima.</strong> Quando, em 2009, o mundo se reuniu em Copenhague para tentar buscar soluções para os desafios das mudanças climáticas, especialistas diziam que, se não houvesse acordo, o mundo estaria perdido. Quanto mais catastrofistas eram as previsões, mais parecia que os representantes dos diversos interesses nacionais se distanciavam de um denominador comum. Ele não veio, a decepção foi generalizada, e pouco se esperava da edição seguinte do evento, em dezembro deste ano, no México. Mas a reunião de Cancún surpreendeu, produzindo um acordo <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/12/101211_cancun_repercussao_ebc_rc.shtml">para o qual a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, deu nota 7,5</a>. Para um tema tão importante, em que o mundo vinha repetindo de ano, é uma ótima nota. Poucos acreditavam em um acordo, especialmente um que estabelecesse a criação de um Fundo Verde. Ainda não foi o compromisso necessário para proteger o planeta, já que não estabeleceu obrigações legais para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Mas pode ser visto como um divisor de águas na difícil tarefa de adequar desenvolvimento às capacidades naturais da Terra. O vazamento de petróleo no Golfo do México, meses antes, expôs a vulnerabilidade do meio ambiente às ações humanas. O acordo de Cancún recuperou a esperança na capacidade do homem de minimizar os danos causados ao planeta.</p>

<p><strong>Vida artificial.</strong> Esse tema recorrente da ficção científica ficou muito mais próximo da realidade com o anúncio, em maio, de que <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/multimedia/2010/05/100521_vida_artificial_video_vale_ir.shtml">cientistas dos Estados Unidos desenvolveram as primeiras células controladas por um genoma sintético</a>. A célula em questão, de uma bactéria, não era artificial, mas o DNA dentro dela sim. As implicações do trabalho científico são ainda pouco conhecidas, e para muitos trata-se do primeiro passo na arriscada ambição humana de "brincar de Deus". Mas a descoberta é tida como uma das mais importantes da história da ciência. Daqui a 50 anos, 2010 pode ser considerado o ano em que a humanidade assumiu o controle sobre a sua própria criação.</p>

<p><strong>EUA fora do Iraque.</strong> Na verdade, cerca de 50 mil soldados americanos continuam em solo iraquiano, mas em tese apenas para treinar tropas locais. O fim das operações de combate dos Estados Unidos, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/09/100901_obama_iraque_cq.shtml">confirmado por Barack Obama em setembro</a>, marcou o encerramento do que muitos consideram um dos maiores desastres da política externa de Washington e da Grã-Bretanha. A dupla de potências decidiu invadir o Iraque em 2003 para, em tese, desarmá-lo de armas de destruição em massa. Mas ficou provado que elas não existiam, e o que veio em seguida marcou o mundo por vários anos. Parte da violência no Iraque continua, mas a retirada americana pôs um freio na política intervencionista neoconservadora dos tempos de George W. Bush. Apesar da atual pressão sobre o Irã, devido ao seu programa nuclear, dificilmente os Estados Unidos repetirão a mesma estratégia usada contra Saddam Hussein.</p>

<p><strong>As revelações do WikiLeaks.</strong> O terremoto causado pelo site do australiano Julian Assange ainda não pode ser completamente dimensionado. Quando, em novembro, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/11/101128_wikileaks_vazamento_rp.shtml">o WikiLeaks passou a divulgar as primeiras de milhares de comunicações da diplomacia americana</a>, ficou claro que entrávamos em novos tempos. As informações divulgadas já eram constrangedoras e reveladoras o suficiente para gerar uma crise na diplomacia global. Mas o processo pelo qual vieram a público e foram consumidas foi a principal novidade. Sem a tecnologia dos dias de hoje, os documentos não estariam tão facilmente acessíveis, supostamente a um soldado baseado no Iraque e acusado pelo acesso ilegal dos dados. Sem a internet a sua divulgação não teria causado tanto impacto. A posterior disputa entre WikiLeaks, o governo americano e várias empresas mostrou como o mundo virtual tornou-se palco de ações de guerrilha, com bancos de dados penetratos e sistemas derrubados. <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2010/12/wikileaks_para_sempre.shtml">Como já escrevi neste mesmo espaço</a>, a atividade do WikiLeaks veio para ficar, mesmo que o site seja fechado. Um drama antes vivido intensamente pela China, que trava uma guerra diária pelo controle do mundo digital, tornou-se dor de cabeça para a superpotência liberal. O conflito entre liberdade tecnológica e segredos de Estado será agora um elemento a ser considerado nas relações políticas de qualquer parte do mundo. Feliz 2011.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>WikiLeaks para sempre</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/2010/12/wikileaks_para_sempre.shtml" />
    <id>tag:www.bbc.co.uk,2010:/blogs/portuguese//48.279990</id>


    <published>2010-12-17T15:03:41Z</published>
    <updated>2010-12-18T10:28:04Z</updated>


    <summary type="html">A libertação em Londres, sob fiança, do fundador do WikiLeaks foi mais um dramático capítulo na saga envolvendo o polêmico site de vazamento de informações. Três semanas depois do início da divulgação de milhares de mensagens sigilosas da diplomacia dos...</summary>
    <author>
        <name>Rogério Simões</name>
        
    </author>
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/">
        <![CDATA[<p><img alt="wikiblog.jpg" src="https://bbclatestnews.pages.dev/blogs/portuguese/wikiblog.jpg" width="226" height="170" class="mt-image-none" style="" />A <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/12/101216_assangesolto2_pai.shtml">libertação em Londres, sob fiança, do fundador do WikiLeaks </a>foi mais um dramático capítulo na saga envolvendo o polêmico site de vazamento de informações. Três semanas depois do início da divulgação de milhares de mensagens sigilosas da diplomacia dos Estados Unidos pelo site de Julian Assange, apenas uma coisa é certa: o WikiLeaks, ou pelo menos a atividade à qual ele se dedica, veio para ficar. Segredos de Estado nunca mais estarão tão seguros quanto antes, diplomatas aumentarão o cuidado com o que dizem e/ou escrevem, e governos se prepararão melhor para reagir à exposição de suas verdades. Hackers protestaram contra a prisão de Assange entrando em áreas sigilosas de sites de empresas financeiras que o abandonaram, numa mostra da fragilidade do mundo virtual. A tecnologia digital criou uma nova realidade, de espionagem e contra-espionagem, invasões de sistemas e bancos de dados, da qual parece ser impossível escapar.</p>

<p>O vazamento das mensagens diplomáticas americanas, sobre os mais diversos assuntos, foi chamado por alguns de 11 de Setembro da diplomacia, um episódio de implicações imediatas gigantescas e consequências futuras incertas. A dura reação de políticos após o vazamento, com o WikiLeaks perdendo apoio logístico de empresas (Amazon, Mastercard, VISA) e a polêmica prisão de Assange sob suspeita de abuso sexual mostraram que muita coisa estava em jogo. O fundador do WikiLeaks diz que seu objetivo não é apenas revelar segredos dos Estados Unidos. Sua luta, afirma, é pela liberdade de informação quando segredos protegem grandes interesses, políticos ou econômicos. Mas seus críticos dizem que a exposição de segredos de forma pouco criteriosa, sem uma clara justificativa editorial, ameaça a segurança de nações e indivíduos. Por enquanto, o debate parece estar dividido entre os que combatem os grandes poderes e aqueles que os defendem. A força do status quo contra uma nova geração de revolucionários virtuais. Desse ponto de vista, é fácil para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender publicamente Julian Assange e a liberdade de informação. O Brasil é um ator em ascensão que tem pouco a perder com a revelação de documentos secretos americanos. Mas o poder e a responsabilidade brasileiros aumentam a cada dia, e o interesse nacional falará mais alto se o Brasil for um dia confrontado com revelações indesejáveis feitas por algum hacker intrometido. Quem tem pouco a perder com as ações do WikiLeaks hoje pode ser seu inimigo amanhã.</p>

<p>Como em qualquer outra atividade humana, no atual conflito entre o site de Julian Assange e o poder tradicional alianças são feitas e desfeitas, laços se rompem com a mesma rapidez com que são formados. Um porta-voz do WikiLeaks, Daniel Domscheit-Berg, <a href="https://bbclatestnews.pages.dev/news/technology-11981301">decidiu deixar o site por divergências com seu chefe famoso e criar o OpenLeaks</a>, a ser lançado em breve. Domscheit-Berg afirmou não concordar com as direções tomadas pelo site de Assange afirmando, ironicamente, que no WikiLeaks há "muita concentração de poder". Depois de enfrentar o poder de superpotências mundo afora, Julian Assange parece ter encontrado resistência ao seu próprio, o que só prova que a transformação trazida pelo WikiLeaks é muito maior do que ele mesmo.</p>

<p>Outros sites, outros questionadores do status quo estão chegando, prometendo formas ainda mais eficazes de quebrar estruturas tradicionais, romper barreiras erguidas pelo poder e disseminar questionamentos e incertezas. Assange pode ser condenado por um suposto crime sexual ou mesmo eventualmente responder a acusações de espionagem nos Estados Unidos, como se especula. Seu site pode inclusive fechar as portas devido a pressões ou falta de recursos. Não interessa muito. O WikiLeaks, como fenômeno, como ferramenta inspiradora de abalo do poder, veio para ficar. Sua forma de atuação, adotada por outros, será uma realidade inerente às tecnologias abraçadas pela humanidade neste século. Os muros de Roma já foram derrubados, resta agora ao poder tradicional aprender a conviver com os bárbaros.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

</feed>



